Executivos, empresários, especialistas em tecnologia e lideranças do ecossistema de inovação participaram do IBEF Innovation + ESX Collab, realizado na Casa Vilani, em Vitória. Promovido pelo IBEF-ES em parceria com o Sebrae/ES, o encontro integrou as comemorações dos 40 anos da entidade e promoveu reflexões sobre os impactos da inteligência artificial nas empresas, na produtividade e na relação entre humanos e máquinas.
A abertura foi conduzida pelo presidente do IBEF-ES, Alecsandro Casassi, que destacou a relevância do tema para o ambiente corporativo atual. “Debatemos aplicações práticas e resultados que estão transformando o mundo inteiro sobre IA. A inteligência artificial é um ponto de virada que chegou para mudar nossas vidas”, afirmou.
O primeiro painel do evento abordou o tema “A IA está mudando a forma como empresas decidem, operam e crescem”, com mediação de Felipe Deboni e participação de Massimo Enea, presidente da VTEX Brasil B2B Solutions, e Lucas Testa, diretor de Tecnologia da Sipolatti.
Durante o debate, os executivos compartilharam experiências sobre a adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo e seus impactos nos resultados dos negócios.
“A IA está otimizando vários meios de trabalho e a gente vê claramente os efeitos da aplicação da inteligência artificial. Vendas é um deles. A IA agiliza, fideliza e melhora a experiência do cliente”, destacou Massimo Enea. Para Lucas Testa, a tecnologia já faz parte da rotina das organizações e tem acelerado processos antes considerados complexos. “Sou da área de tecnologia e vejo que a IA está cada vez mais presente em nossas vidas. Com ela ganhamos muita agilidade. Coisas que fazíamos manualmente e ainda ficavam sujeitas a erros passaram a ser feitas de forma rápida e correta”.
Na sequência, o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípedes Pedrinha, conduziu a palestra “Inovação sem Fronteiras”, destacando a importância da colaboração entre diferentes atores para fortalecer o ecossistema de inovação capixaba.
“O grande desafio das organizações é que, muitas vezes, o sucesso faz com que elas se apeguem às próprias forças competitivas e percam a capacidade de enxergar o novo. O ESX nasceu justamente para romper essas fronteiras e criar conexões. A inovação só faz sentido quando todos os atores do ecossistema estão envolvidos, das grandes empresas às pequenas e médias que sustentam as cadeias produtivas e ajudam a impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Estado”, ressaltou.
Um dos momentos mais aguardados da programação foi a palestra magna do cientista de dados, filósofo da tecnologia e fundador do Cappra Institute, Ricardo Cappra, que apresentou o tema “Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas”.
Ao abordar a relação entre dados, inteligência artificial e comportamento humano, Cappra chamou a atenção para o volume crescente de informações com que as pessoas lidam diariamente. “Vivemos um cenário de caos informacional. A quantidade de dados disponível hoje é muito maior do que a nossa capacidade biológica de processar. Por isso, passamos a utilizar sistemas de análise de dados, algoritmos e inteligência artificial para complementar nossa capacidade de decisão. O desafio não é apenas tecnológico, mas cultural. Precisamos ressignificar a forma como pessoas e organizações se relacionam com os dados”, explicou.
Segundo Cappra, o sucesso da inteligência artificial dentro das empresas depende menos da tecnologia e mais da capacidade das pessoas de utilizá-la estrategicamente. “A inteligência artificial não substitui a inteligência humana. Ela amplia nossa capacidade de compreender cenários complexos e tomar melhores decisões. As organizações que terão mais sucesso serão aquelas capazes de construir uma cultura analítica sólida, conectando tecnologia, pessoas e propósito”.
O encerramento da programação contou com o painel “Sem pessoas, não existe produtividade: o fator humano na adoção da IA”, mediado por Renato William, CEO e cofundador da Else Solution, reunindo Ricardo Cappra, Eurípedes Pedrinha e a PhD em Psicologia Maria Rita Sales.
Durante sua participação, Maria Rita destacou que os avanços tecnológicos sempre provocaram mudanças no mercado de trabalho e que a inteligência artificial representa mais uma etapa desse processo.
“Eu entendo que a IA não compete necessariamente com o ser humano. O que existe é a necessidade de aprendermos continuamente. As tecnologias mudam, mas a capacidade humana de pensar, analisar criticamente e aprender continua sendo o diferencial. Quem desenvolve essas habilidades estará preparado para trabalhar ao lado da inteligência artificial”, afirmou.
Eurípedes Pedrinha reforçou que a transformação digital exige preparo das lideranças e desenvolvimento das pessoas. “A tecnologia pode acelerar processos e ampliar resultados, mas a verdadeira inovação acontece quando existe uma cultura organizacional capaz de transformar conhecimento em ação. O futuro não será construído apenas por empresas que adotam tecnologia, mas por aquelas que desenvolvem pessoas preparadas para utilizá-la de forma estratégica”.
Já Ricardo Cappra destacou que o desafio das empresas não está na adoção das ferramentas, mas na construção de ambientes que favoreçam o aprendizado contínuo. “Não existe inteligência artificial eficiente sem pessoas preparadas para interpretar informações, tomar decisões e gerar valor a partir dos dados. O fator humano continua sendo o principal ativo de qualquer organização.”
Ao final do encontro, a diretora executiva de operações do IBEF-ES, Francis Ferrari, destacou a relevância do debate para o ambiente empresarial. “O IBEF Innovation nasceu para conectar executivos, empresários e especialistas aos temas que estão transformando o mercado. Ver este auditório reunindo diferentes setores em torno de discussões tão relevantes mostra que o Espírito Santo está preparado para protagonizar essa transformação. Seguiremos promovendo espaços de diálogo, conhecimento e conexão para fortalecer a inovação e o desenvolvimento dos negócios em nosso Estado”.