IBEF-ES promove debate sobre liderança inclusiva e destaca a transformação das organizações diante da diversidade

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O IBEF-ES realizou encontro para discutir o futuro das organizações sob a perspectiva da diversidade, da inclusão e das mudanças sociais que impactam diretamente o ambiente corporativo. O evento “Liderança Inclusiva: O Novo Valor Estratégico das Organizações” reuniu especialistas para analisar como mentalidades e práticas inclusivas fortalecem empresas, impulsionam inovação e ampliam a competitividade.

A abertura do encontro reforçou a urgência do tema com as contribuições de Everson Fraga, Diretor de Conteúdo Técnico do IBEF-ES, que reforçou a base ética do tema. “Diversidade e inclusão são, antes de tudo, uma questão ética. É o mínimo que nós, como seres humanos, precisamos praticar. Todo negócio tem na ética a sua base e incluir pessoas faz parte desse compromisso”.

Ele destacou ainda que esses temas geram impacto direto no desempenho das empresas. “Esses temas geram valor real e resultado para as companhias. Pessoas são um ativo estratégico, e tratá-las como tal faz parte da visão empresarial moderna”.

Everson também chamou atenção para a necessidade de adaptação ao cenário global. “Quando olhamos o mercado internacional, como Estados Unidos e Europa, percebemos que esse debate já está avançado, ainda que em formatos distintos. Precisamos adaptar essa discussão ao Brasil e entender que ela é urgente e importante para a competitividade das empresas. Cabe às lideranças trazer esse debate para o centro das estratégias corporativas”.

Na sequência, Paulo Wanick, presidente do Conselho de Administração do IBEF-ES, ressaltou a transversalidade do tema dentro da missão institucional do Instituto. “A diversidade é um tema transversal, e o IBEF nasceu para olhar o conjunto (finanças, gestão e pessoas) em qualquer indústria, segmento ou área de atuação”.

Ele reforçou que a instituição se tornou um espaço de diálogo estruturado. “Criamos um ambiente para trazer temas que muitas vezes ficam de fora da rotina das organizações. Hoje conseguimos debater diversidade, inclusão e cultura de forma estruturada”.

Wanick destacou ainda que a criação de uma diretoria dedicada a Pessoas, Cultura e Diversidade marcou um avanço significativo. “Foi uma inovação importante estabelecer uma diretoria dedicada a Pessoas, Cultura e Diversidade dentro do IBEF. No começo houve estranhamento, mas mostramos que esse diálogo precisa existir”.

Segundo ele, a ampliação da representatividade é um caminho sem volta. “O IBEF precisa ser cada vez mais diverso para continuar fazendo a diferença e movimentos como o IBEF Academy e Conecta Mulher mostram que estamos no caminho certo. É uma evolução enorme ver executivos abrindo espaço para debates sobre inclusão, pluralidade e bem-estar. Quando unimos finanças e pessoas, criamos organizações mais inteligentes, produtivas e preparadas para o futuro”.

Para Gisélia Freitas, diretora de Pessoas, Cultura e Diversidade do IBEF-ES, a transformação da sociedade tem pressionado as empresas a desenvolver uma nova consciência estratégica.

“O Brasil mudou socialmente, demograficamente e emocionalmente e as organizações precisam acompanhar esse movimento. Culturas que conseguem absorver a diversidade como força de trabalho agregam valor, sustentabilidade e longevidade aos negócios.” Ela destacou ainda que a falta de leitura das mudanças sociais enfraquece lideranças. “O analfabetismo de mercado tem matado lideranças e negócios. A falta de leitura do que acontece no mundo tem deixado empresas obsoletas”. Segundo Gisélia, a perda de talentos é uma consequência direta da ausência de preparo. “Perdemos talentos porque muitas lideranças ainda não entenderam a nova dinâmica social e organizacional”.

Durante sua fala, ela também evidenciou a distância entre a realidade demográfica e a representatividade nas empresas. “As mulheres representam 51,7% da força de trabalho, mas ainda enfrentam desigualdades profundas em cargos de liderança. Quase metade das famílias brasileiras já têm mulheres como chefes, mas ainda recebemos, em média, 21% menos que os homens.”

Ela lembrou ainda que a população negra segue sub-representada em posições executivas. “A população negra é maioria no Brasil, mas apenas 9,6% ocupam posições de alta liderança”.

 Para Gisélia, inclusão é um tema que vai além de políticas formais. “Organizações são sistemas vivos: tudo que acontece na sociedade impacta a empresa e o que a empresa faz impacta a sociedade. Não acolher o diferente gera um passivo humano, cultural e econômico”.

Flávia Coelho, sócia-diretora da Efetive e painelista, reforçou que liderar de forma inclusiva é um exercício cotidiano de sensibilidade e aprofundamento.

“Liderança inclusiva exige sensibilidade para enxergar vulnerabilidades muitas vezes ocultadas na sociedade”. Ela destacou que diversidade não é um tema superficial. “Precisamos olhar para a realidade com profundidade, revisitando histórias e enxergando o que está nas camadas além do óbvio.” Em sua análise, a prática inclusiva é construída diariamente. “Liderança inclusiva é justamente isso: o exercício diário de ir além do óbvio. Ser inclusivo é praticar um olhar que acolhe, entende e valoriza diferentes perspectivas”.

A perspectiva internacional foi apresentada por Marianna Laranjeira, cofundadora do Instituto Elas, que trouxe referências de mercados mais avançados em regulação e práticas de diversidade.

“No mercado internacional, as regulamentações sobre diversidade e sustentabilidade estão muito mais avançadas do que no Brasil. Fundos de investimento do exterior já tratam diversidade e sustentabilidade como temas estratégicos, não acessórios”.

Para ela, o impacto da diversidade é comprovado. “Diversidade não é discurso: os indicadores mostram claramente o valor que ela agrega aos negócios.” Marianna ressaltou também a necessidade de autenticidade. “O mundo está cheio de discursos performáticos. Precisamos ter menos aparência e mais essência”.

Ela relatou ainda sua experiência na COP 30. “Recentemente tive o prazer de estar na COP 30 para falar sobre o papel das mulheres na liderança da descarbonização da cadeia logística. Ver mulheres conduzindo esse debate global é inspirador e necessário”. Segundo Marianna, a sustentabilidade depende de visão de longo prazo. “Sustentabilidade é um tripé: econômico, social e ambiental. Um negócio só prospera quando equilibra estes três pilares”.

Rodrigo Gama, diretor de Estratégia Institucional do IBEF-ES e Diretor de Pessoas, Bem-Estar, Saúde e Segurança da ArcelorMittal Aços Planos da América Latina e painelista, apresentou dados que refletem mudanças internas nas organizações.

“A sociedade está mudando e as empresas precisam acompanhar essa evolução”. Segundo ele, os investidores já cobram coerência e prática real. “Os investidores têm questionado cada vez mais a composição das lideranças e a prática real de diversidade e inclusão”.

Rodrigo detalhou avanços recentes. “Nos últimos cinco anos aumentamos em 220% a entrada de mulheres, enquanto o crescimento de homens foi de 9%.” Ele destacou ainda o impacto das novas gerações. “Em 2020, apenas 2% dos nossos empregados eram da geração Z. Hoje são 8%. Já são mais de mil pessoas dessa geração conosco.”

Para Rodrigo, diversidade só se sustenta quando existe coerência interna. “Cultura é o que a gente fala e faz. Se não houver coerência, diversidade vira marketing e não prática”.

Ele também reforçou a importância dos grupos de afinidade. “Grupos de afinidade têm sido fundamentais, trazendo expertise e lugar de fala para ampliar a consciência das lideranças”. Ao concluir sua participação, reforçou a importância do movimento contínuo. “Todo dia faça um pouquinho. Consistência é o primeiro passo para qualquer transformação”.

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IBEF-ES

Somos a maior entidade que reúne empresários e executivos de finanças do estado.

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