Inspirar, conectar e abrir espaço para discussões que impactam diretamente o presente e o futuro dos negócios. Esse foi o tom do Conecta Mulher, evento realizado na última quinta-feira (7), na Fucape. Reunindo grandes lideranças femininas, a iniciativa trouxe reflexões profundas sobre desafios e oportunidades no mercado de trabalho, com destaque para a escassez de mão de obra, a reforma tributária e o papel da mulher como diferencial competitivo.
A abertura ficou por conta de Gisélia Freitas, que deu as boas-vindas e agradeceu a presença das participantes. O presidente do IBEF-ES, Alecsandro Cassassi, reforçou o orgulho em ver tantas mulheres reunidas e destacou o apoio dos patrocinadores Odontoscan, BButton Ventures e Instituto de Inovação, Conhecimento e Ciências Aplicadas (ICCA).
No painel, mediado por Gisélia, as convidadas Ana Paula Vescovi e Patrícia Chieppe abordaram inicialmente a falta de profissionais qualificados. Para Patrícia, a solução está em estratégias criativas e na formação de novos talentos. “Trazemos gente que não é do mercado logístico e treinamos. É um desafio, mas possível de superar”, afirmou. Ana Paula destacou fatores estruturais para o cenário, como o envelhecimento da população, a entrada de menos jovens no mercado e o comportamento da geração Z, que prioriza modelos flexíveis como o home office, especialmente na área de tecnologia.
A conversa também girou em torno da reforma tributária. Ana Paula avaliou que a mudança trará avanços, mas ressaltou a complexidade da transição. “O setor tributário no Brasil é caótico. A reforma vai simplificar, mas há setores que sentirão mais, como o de bens e serviços, enquanto a indústria tende a ganhar”, explicou, citando o Pix como exemplo de inovação nacional. Patrícia reconheceu o potencial de simplificação, mas externou preocupação com um possível aumento de carga tributária. “Estamos fazendo estudos para entender como será esse impacto.”
Na pauta feminina, a discussão se voltou à migração de mulheres para o empreendedorismo e à perda de espaço no mercado formal diante da sobrecarga de responsabilidades. Ana Paula defendeu a liderança feminina como complementar, unindo cuidado e acolhimento a competências estratégicas. “No meu time, sou a única mulher entre homens, e acredito que nossa presença agrega equilíbrio e diferenciação.” Já Patrícia destacou o desafio de conciliar múltiplos papéis. “Quem nunca quis desistir? É muito desafiador equilibrar tudo, mas estamos tirando essa diferença com louvor.”