Abençoado por Deus e bonito por natureza, mas incapaz de transformar beleza em prosperidade. O Brasil é o país que nasceu para dar certo, mas parece ter assinado um contrato vitalício com atraso. Um país tão ricos em recursos, mas que que acha desnecessário transformá-los em riqueza. Se exporta o talento bruto, o minério cru e o café em sacas, e depois compra de volta tudo isso, reembalado, refinado e com selo estrangeiro de sofisticação. É como vender ouro e pagar caro pela bijuteria. O caso do café capixaba é o retrato mais elegante dessa ironia. Se planta, colhe e exporta o melhor café do mundo, mas só o reconhece quando ele retorna em cápsulas metálicas ou em copos de papel com logotipo americano. Enquanto isso, baristas europeus e empreendedores asiáticos lucram com o que o nosso produtor colheu. É o velho roteiro nacional: produzimos a essência, mas terceirizamos o valor. Além disso, o país é exportador de minério, café e celulose, mas raro produtor de bens industriais. Falta liberdade para empreender, previsibilidade regulatória e confiança em quem faz. Sobra burocracia, improviso e um Estado que acredita ser protagonista do desenvolvimento quando, na verdade, é o maior obstáculo a ele. Em vez de libertar a economia, insiste em tutelá-la. A história ajuda a entender, mas não absolve. Desde o período colonial, treinados a enviar insumos e esperar que outros os transformassem em produtos. Ontem era a metrópole portuguesa; hoje são os países industrializados. Mudaram os navios, os portos e os interlocutores, mas a mentalidade segue parecida: dependente, acomodada e pouco disposta a apostar na própria capacidade de gerar valor. Enquanto as nações que apostam na liberdade econômica colhem inovação e prosperidade, o Brasil ainda discute se confiar no indivíduo é arriscado. Aqui, a iniciativa privada é vista com desconfiança, o lucro é tratado como culpa e a eficiência, como ameaça. E assim segue: exportando minério e importando trilhos, exportando celulose e import
O Brasil que produz a essência e terceiriza o valor
Abençoado por Deus e bonito por natureza, mas incapaz de transformar beleza em prosperidade. O Brasil é o país que nasceu para dar certo, mas parece ter assinado um contrato vitalício com atraso. Um país tão ricos em recursos, mas que que acha desnecessário transformá-los em riqueza. Se exporta o talento bruto, o minério cru e o café em sacas, e depois compra de volta tudo isso, reembalado, refinado e com selo estrangeiro de sofisticação. É como vender ouro e…
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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