O Estado condena as apostas esportivas, mas há décadas lucra com a esperança vendida em bilhetes de loteria. Quem está jogando com quem? Nos últimos meses, o cerco se fechou em torno das casas de apostas esportivas, as chamadas “bets”, com investigações conduzidas pelo poder público sob o argumento de que essas plataformas “enriquecem um pequeno grupo de empresários à custa da desgraça de milhões de brasileiros”. Um discurso inflamado, revestido de preocupação social, mas que escancara uma contradição institucional: o próprio Estado brasileiro lucra há décadas com jogos de azar (e o faz sem qualquer pudor). É importante ressaltar que a temática não é defender as “bets”. Há problemas reais a serem debatidos e que devem ser analisados com seriedade. Mas o que está em jogo vai além da crítica às apostas esportivas: se trata da coerência do Estado brasileiro, que ataca com veemência o que ainda não regulamentou, enquanto fatura bilhões com práticas semelhantes sob o rótulo de “oficial”. Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva (2024), 72% das pessoas endividadas que apostam disseram preferir a loteria federal como forma de tentar mudar sua condição. Em terceiro lugar, vêm justamente as “bets”. Isso revela algo essencial: a aposta não é um vício moderno. Ela é uma válvula de escape antiga, usada por milhões como forma de esperança, ilusão ou desespero. O Estado sabe disso (e sempre soube). A diferença? Quando é ele quem vende o bilhete, tudo vira “incentivo aos sonhos”. Quando são plataformas privadas, passa a ser “exploração da miséria”. Onde está a coerência? Há outro ponto fundamental nesse debate: o discurso do vitimismo social absoluto. Atribui-se todo o peso do endividamento causado pelas apostas à manipulação das plataformas, esquecendo que a liberdade individual implica responsabilidade pelos próprios atos. Jogar, apostar, arriscar, são decisões individuais. E, como toda escolha, têm consequências. O livro “Psicologia Financeira” é ideal para elucidar a quest
Jogo, Hipocrisia e Liberdade: o Estado contra as “bets”
O Estado condena as apostas esportivas, mas há décadas lucra com a esperança vendida em bilhetes de loteria. Quem está jogando com quem? Nos últimos meses, o cerco se fechou em torno das casas de apostas esportivas, as chamadas “bets”, com investigações conduzidas pelo poder público sob o argumento de que essas plataformas “enriquecem um pequeno grupo de empresários à custa da desgraça de milhões de brasileiros”. Um discurso inflamado, revestido de preocupação social, mas que escancara uma contr
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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