Você confiaria suas decisões mais estratégicas a um único ponto de vista: o seu?

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

Num mundo de decisões rápidas e incertezas permanentes, a solidão do poder se tornou um risco estratégico. Liderar já não é apenas acertar rápido, e sim pensar com profundidade. E, para isso, diante de contextos complexos e de elevado risco, uma afirmativa se impõe: ninguém deveria decidir sozinho. 

Historicamente, redes de mentores e de conselheiros sempre foram o antídoto contra o isolamento do líder. Hoje, com o avanço da Inteligência Artificial Generativa, surge uma nova ferramenta: o conselheiro virtual pessoal. 

Foi o que fez Vipin Gupta, um executivo analisado pela equipe de estudiosos de gestão da MIT Sloan Management Review. Ele construiu um conselho com diferentes ferramentas de inteligência artificial, cada uma assumindo um papel simbólico: o CFO, o conselheiro técnico, o mentor experiente. 

O objetivo dele era testar ideias, simular cenários, avaliar riscos implícitos e ouvir argumentos complementares, tudo isso sem ego, sem viés, sem cansaço. 

Essas ferramentas de IA não substituem o conselheiro humano. Elas o potencializam. Funcionam como espelhos estratégicos, radares de risco e provocadores de premissas. Elas não julgam nem disputam espaço. Apenas ampliam capacidades do conselheiro humano. 

Casos como o da plataforma Alice, criada pela Dell, que facilita o acesso a capital para mulheres fundadoras de start ups, ou da Deep Knowledge Ventures, que nomeou um algoritmo como conselheiro simbólico, mostram que esse é só o começo de uma revolução cognitiva. 

A questão não é se “a IA vai substituir os humanos”. A questão certa é “como ela pode nos fazer pensar melhor”. 

No Espírito Santo, muitos empresários enfrentam decisões críticas em ambientes com baixa densidade de conteúdo. Um ecossistema híbrido, com conselheiros humanos e virtuais, poderá ser o diferencial competitivo para as próximas décadas. 

As ferramentas de IA podem simular cenários, mapear riscos e sugerir alternativas. Mas a decisão final continua sendo humana, muito bem-informada, consciente e ampliada. 

Como lembra Bob Johansen, um influente pensador futurista que ajuda líderes e organizações a prosperarem frente às transformações rápidas e complexas do futuro, e criador do conceito VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo): “O líder do futuro não será o que sabe mais, mas o que escuta melhor.” 

Com as ferramentas certas e escuta qualificada, o ato de decidir não precisa mais ser solitário. 

Autor

José Mauro Rocha de Barros

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