Saúde mental da pessoa neurodivergente: um olhar necessário

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, é um convite à reflexão sobre o bem-estar emocional, psicológico e social de todas as pessoas. Mas ao falar sobre saúde mental, é fundamental incluir um grupo que ainda enfrenta muitos desafios invisíveis: o das pessoas neurodivergentes.

O termo neurodivergência se refere a indivíduos cujo funcionamento neurológico difere do que é considerado “neurotípico”. Isso inclui pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), dislexia, discalculia, entre outras condições. Essas diferenças não são doenças, mas variações naturais da mente humana, que impactam a forma como alguém percebe o mundo, processa informações e se relaciona com o ambiente.

No entanto, viver em uma sociedade estruturada para o padrão das pessoas típicas pode ser profundamente exaustivo. A constante necessidade de adaptação, o esforço para mascarar comportamentos e o medo do julgamento geram sobrecarga emocional. É justamente essa sobrecarga que coloca as pessoas neurodivergentes em maior risco de desenvolver transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

Pesquisas mostram que pessoas autistas, por exemplo, têm quatro vezes mais chances de apresentarem quadros depressivos ao longo da vida. No caso do TDAH, a comorbidade com ansiedade é extremamente comum, em função da impulsividade, da dificuldade de foco e da autocrítica constante diante das exigências sociais e profissionais. Além disso, a falta de diagnóstico — ou o diagnóstico tardio — agrava o sofrimento psíquico, pois a pessoa passa anos acreditando que “ela não se encaixa ali”, sem compreender suas reais necessidades.

Nas empresas e instituições de ensino, esse cenário se repete. A ausência de acolhimento e de práticas inclusivas contribui para o isolamento e o esgotamento de pessoas neurodivergentes, que frequentemente precisam gastar energia extra para “se encaixar”. Falta empatia, informação e políticas que valorizem diferentes formas de pensar, aprender e produzir. Cuidar da saúde mental da pessoa atípica significa, portanto, mais do que oferecer apoio psicológico. Significa criar ambientes seguros e compreensivos, onde cada indivíduo possa expressar seu modo único de ser sem medo de rejeição. É reconhecer que a diversidade neurológica enriquece a sociedade e que o bem-estar depende, acima de tudo, de respeito e inclusão.

Autor

Juliana Foreque Frasson

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