Artigo publicado como integrante do CQC de Inovação e Tecnologia.
Com as mudanças cada vez mais rápidas, seja pela tecnologia ou por instabilidades políticas e econômicas, os diferenciais competitivos das empresas têm se tornado transitórios. Por esse motivo, o investimento em inovação deixou de ser uma vantagem das grandes empresas e passou a ser uma questão de sobrevivência para qualquer negócio que queira se manter eficiente, relevante e competitivo.
Enxergando esta necessidade em 2019, o MCI – Movimento Capixaba pela Inovação, que reuniu mais de 30 entidades, representantes do setor privado, público e de instituições de ensino, definiu ações para tornar o estado do Espírito Santo um dos 5 mais inovadores do Brasil até 2030. Um grande desafio, considerando que o estado ocupava a 24ª posição no pilar Inovação do Ranking de Competitividade dos Estados naquela época.
Em 2024, o estado passou para 13ª posição; porém para ser relevante e competitivo em inovação no cenário nacional será necessário manter e intensificar os esforços em políticas públicas, investimentos em ciência e tecnologia, e fortalecimento do ecossistema de inovação do estado. O governo do estado, ciente do desafio, anunciou para 2025 um volume expressivo de mais de R$ 200 milhões, voltados para editais de fomento à inovação, pesquisa e formação de capital humano. Além de bolsas e do fomento ao fortalecimento das instituições de ensino e pesquisa, esse recurso disponibilizado pela Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo) foi destinado diretamente ao desenvolvimento da inovação nas empresas. Um dos destaques é o edital Nova Economia Capixaba, que financia projetos de até R$ 3 milhões em parceria entre empresas e ICTs locais, um passo importante para aproximar o conhecimento científico da realidade do mercado.
O interesse do setor privado também cresceu. Somente em 2024, empresas capixabas captaram mais de R$ 100 milhões por meio da linha Finep Inovacred, colocando o estado entre os seis maiores do país nesse quesito. No primeiro semestre de 2025, outros R$ 48 milhões já haviam sido liberados, indicando um claro amadurecimento do empresariado quanto ao uso de recursos incentivados para inovar.
Apesar dos desafios ainda existentes, os avanços são notáveis. O Espírito Santo ocupa hoje o 6º lugar geral no Ranking de Competitividade dos Estados, liderando em Solidez Fiscal, sendo o 2º em Infraestrutura e o 7º em Educação. Esse ambiente favorável atrai investimentos e reforça a mensagem de que inovar é mais do que possível: é estratégico.
O Espírito Santo criou um terreno fértil para que a inovação se torne uma aliada real das empresas de todos os tamanhos. Os recursos humanos e financeiros estão disponíveis e o ecossistema amadurece. Cabe agora aos empresários enxergar esse movimento como uma oportunidade concreta de crescimento. Em um cenário em que a estagnação custa caro, inovar deixou de ser aposta e passou a ser investimento necessário para a sobrevivência.