Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão
O risco cardiometabólico está aumentando em prevalência ao longo da vida. Fatores de risco estabelecidos e a progressão da doença associada se tornam mais difíceis de reverter à medida que se consolidam ao longo do tempo; se as tendências atuais não forem controladas, as consequências para o bem-estar individual e social se tornarão insustentáveis. As causas raiz inter-relacionadas da adiposidade ectópica e da resistência à insulina são compreendidas, mas identificadas tardiamente na trajetória da desregulação metabólica sistêmica, quando os fatores de risco cardiometabólico tradicionais cruzam os limites diagnósticos atuais da doença. Assim, crianças em risco cardiometabólico são frequentemente expostas a um metabolismo subótimo ao longo dos anos antes de apresentarem sintomas clínicos, momento em que a dependência vitalícia da farmacoterapia pode apenas mitigar, mas não reverter o risco.
Indicadores de ponta são necessários para detectar o desvio mais precoce do metabolismo saudável, para que a prevenção direcionada, primordial e primária do risco cardiometabólico seja possível. Uma melhor compreensão dos biomarcadores que refletem precocemente as transições para o dismetabolismo, começando no útero e ao longo da vida, é crucial. Esta declaração científica feita pela American Heart Association (AHA, 2020), explora biomarcadores emergentes de risco cardiometabólico em campos de pesquisa “ômicos” em rápida evolução e inter-relacionados (epigenoma, microbioma, metaboloma, lipidoma e inflamossomo). Conexões em cada domínio com a função mitocondrial são identificadas, as quais podem mediar as respostas favoráveis de cada um dos biomarcadores ômicos presentes em um estilo de vida saudável para o coração, notadamente em intervenções nutricionais. A implementação mais completa da nutrição baseada em evidências deve abordar as disparidades ambientais e socioeconômicas que podem facilitar ou dificultar a resposta à terapia.
Jovens em risco cardiometabólico, podem estar expostos à níveis subótimos de nutrientes por muitos anos antes de se apresentarem para tratamento, ponto em que a dependência vitalícia de medicamentos pode apenas mitigar, mas não reverter o risco. 3
Uma declaração de política da AHA, destacou o impacto do risco cardiometabólico em jovens sobre o aumento da prevalência de doenças cardiometabólicas em adultos. O documento enfatiza a urgência de incorporar, ao longo do curso da vida, novos fatores de risco e novas tecnologias, se quisermos obter melhor avanço no cumprimento da Meta de Impacto de 2030, que busca aumentar, de forma equitativa, a expectativa de vida saudável além das projeções atuais.
Embora cada um desses campos ômicos esteja crescendo muito além do escopo de uma única declaração científica, a ênfase aqui está em sua integração e utilidade específica como biomarcadores precoces, mecanicistas e modificáveis, que torna possível a intervenção pelo médico afeito a essas tecnologias, na gestão da saúde desses indivíduos, fazendo as devidas correções de forma personalizada e mitigando a doença e promovendo saúde.