Artigo publicado como integrante do CQC de Inovação e Tecnologia.
O Plano ES 500 Anos parte de um diagnóstico claro: o legado recente do Espírito Santo é relevante, mas já não basta para sustentar um novo salto de competitividade. Em um cenário marcado por reforma tributária, transição energética e revolução tecnológica, o desafio do estado deixa de ser apenas crescer e passa a ser crescer com mais produtividade, mais inovação e maior capacidade de gerar valor.
Por isso, o plano objetiva acelerar o crescimento da economia capixaba tornando-a mais diversificada e complexa, a partir de políticas adequadas às características e à maturidade dos chamados Setores ES 500. Essa visão não propõe ruptura com os setores tradicionais, mas o aproveitamento das competências já instaladas para desenvolver novas capacidades. A nova economia capixaba não se constrói contra mineração, siderurgia, petróleo e gás, mas a partir do aprimoramento dessas cadeias. A verticalização e a adoção de tecnologias avançadas fortalecem o que já existe, gerando produtos de maior valor agregado e abrindo espaço para que inovação e criatividade deixem de ser marginais e passem a atuar como motores da reestruturação produtiva.
Ao mesmo tempo, o ES 500 aponta que esse avanço precisa vir acompanhado do desenvolvimento de setores emergentes: biotecnologia, economia azul, economia criativa, bioeconomia, tecnologias verdes e serviços digitais. O objetivo é ampliar a complexidade produtiva do estado, combinando o adensamento das cadeias existentes com o surgimento de novas frentes de crescimento. Quem já exporta minério, por exemplo, tem a infraestrutura logística e o relacionamento internacional para, com inovação aplicada, subir na cadeia e exportar soluções.
Instrumentos como o Edital Nova Economia Capixaba, da FAPES, ajudam a materializar essa visão ao conectar demandas empresariais a projetos de inovação desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e instituições de ensino capixabas. É o que transforma planejamento em execução: quando o discurso sobre inovação se converte em projetos concretos capazes de aumentar a competitividade dos setores no cenário nacional.
A nova economia capixaba não nascerá do surgimento de novos negócios isolados, mas da capacidade do estado de sofisticar sua base produtiva. Economias que crescem com consistência não trocam o que têm por algo novo, aprendem a fazer mais com o que já sabem. Esse é o salto que o ES 500 propõe, e que o Espírito Santo tem condição real de dar.