Futebol brasileiro: entre a boa gestão e as finanças em alerta

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

Anualmente a Convocados Gestora de Ativos do Futebol, em parceria com a OutField Inc., lança um estudo detalhado e aprofundado sobre as finanças dos clubes do futebol brasileiro, com foco principal nos clubes da Série A, mas incluindo informações de alguns times da Série B. Assinado por César Grafietti, economista, consultor de gestão e finanças do esporte e um dos sócios da gestora fundada em 2019, com mais de 50 mil investidores e cerca de R$ 28 bilhões sob gestão, o material está disponível no link

Segundo o relatório, embora o faturamento dos clubes da Série A que disputaram o Campeonato Brasileiro em 2024 tenha ultrapassado a cifra de R$ 10 bilhões, neste mesmo ano as dívidas atingiram o montante de R$ 14,6 bilhões, dados preocupantes e que merecem dos gestores dos clubes uma profunda reflexão.

O investimento privado no futebol brasileiro vem apresentando crescimento acelerado desde a aprovação da Lei das SAFs, em 2021, que proporcionou maior segurança jurídica e atratividade para investidores. Esse novo ambiente regulatório fomentou uma forte onda de investimentos locais, com destaque para empresas brasileiras que têm direcionado capital, principalmente para clubes de divisões menores, visando processos de reestruturação, profissionalização e desenvolvimento de novas receitas. Ao mesmo tempo, observa-se a entrada de grandes grupos internacionais e a ampliação de estratégias de multi-club ownership (MCO), consolidando o Brasil como um dos mercados mais estratégicos para a formação e comercialização de atletas no cenário global. Esse movimento evidencia a evolução do país como um ambiente propício para investimentos no futebol, combinando potencial esportivo, valorização patrimonial e um mercado consumidor robusto e engajado.

No entanto, o modelo societário não é decisivo, uma vez que existem SAFs com problemas e outras se destacando positivamente, mas o modelo estratégico e a capacidade de ser ágil e entender os cenários é que farão a diferença. O futebol brasileiro deseja ser “a nova Premier League”, mas ainda   está longe disso ocorrer. Essa distância será reduzida se for adotado o fair play financeiro, a criação de uma liga, a reformulação com atualização constante no calendário, a busca por alternativas de parcerias comerciais de longo prazo, a melhoria na formação de atletas na base, que permitam reforçar o campo e o caixa dos clubes, e a atenção especial às dívidas estruturais, que nascem para criar competitividade artificial, e que são um mal silencioso que destrói os clubes.

Como afirma Cesar Grafietti: “Só um projeto racional e profissional nos fará mudar de direção”.

Autor

Eric Alves Azeredo

Comentários

Últimas notícias

Inscreva-se na Newsletter