Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão
O Chelsea Football Club Women foi criado em 1992, com o nome de Chelsea Ladies Football Club, e tem sido o maior exemplo de sucesso no futebol feminino mundial. Recentemente, conquistou seu oitavo título nacional (sexto consecutivo) da Women’s Super League, de forma invicta, após a disputa de vinte e duas partidas.
É o terceiro clube mais valioso do mundo, com €13,4 milhões em receita (cerca de R$85 milhões), sendo superado pelo Barcelona, da Espanha, e pelo Arsenal, da Inglaterra, com receitas iguais a €17,9 milhões (aproximadamente R$114 milhões).
Um dos fatores importantes para o sucesso do Chelsea Women foi a manutenção de sua treinadora à frente do elenco por várias temporadas. Durante doze anos, a britânica Emma Hayes, considerada uma das melhores treinadoras do mundo, dirigiu o time, vencendo a Super Liga Feminina em sete ocasiões, sendo cinco delas consecutivas, afastando-se do comando técnico da equipe no final de 2024 para assumir a seleção dos Estados Unidos.
Outro fator importante para o sucesso do Chelsea Women é sua gestão independente do time de futebol masculino, um exemplo que deveria ser seguido por todos que trabalham com o futebol feminino. No Brasil, quando a má gestão leva um clube a ser rebaixado de série, o reflexo se dá quase que instantaneamente no futebol praticado pelas mulheres, e são vários os exemplos verificados nos últimos anos. Em 2021, após a queda do Botafogo do Rio de Janeiro para a Série B, os dirigentes do clube comunicaram o encerramento das atividades do time sub-18 feminino e a demissão de mais de 90 funcionários. No ano seguinte, em 2022, quando o time masculino do Ceará foi rebaixado para a Série B, a direção do clube resolveu não disputar a Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, para priorizar a volta para a Série A. Com isso, o time foi automaticamente rebaixado para a Série A3.
Fato semelhante aconteceu com o Santos em 2023, quando o time masculino foi rebaixado para a Série B do Brasileirão. Com o rebaixamento, a proposta orçamentária teve uma redução de mais de R$1 milhão, com reflexo imediato no futebol feminino. As melhores jogadoras saíram do clube e, sem as recomposições devidas, a consequência foi a queda do time para a Série A2 no ano seguinte.
Mais recentemente, a triste história se repete com o Athlético Paranaense. Com o rebaixamento de seu time masculino para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2024, uma das medidas adotadas pela direção do clube foi comunicar a extinção do seu time de futebol feminino, em mais um ciclo que parece não ter fim.
Portanto, se os clubes querem atingir um nível minimamente aceitável de confiabilidade no futebol feminino, urge a necessidade de ter uma gestão séria, profissional e que seja totalmente independente dos resultados alcançados pelo seu time masculino. Enquanto essa medida não for tomada, estaremos sempre lendo com tristeza o encerramento das atividades de equipes promissoras que não têm autonomia para gerir seu próprio caminho.