Em 2015, um capixaba tornou-se vice-presidente de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo: o Google. Com uma trajetória marcada por dedicação e disciplina, o executivo Fábio Coelho compartilhou lições valiosas durante sua passagem por Vitória, em um evento fechado para lideranças empresariais. Mais do que falar sobre tecnologia, sua fala provocou uma reflexão essencial: afinal, como age e pensa um grande líder?
Muito além das perspectivas tecnológicas ou das aplicações da Inteligência Artificial, temas que naturalmente acompanham suas falas, Fábio abordou a dimensão humana da liderança. Destacou que empresas surgem, crescem, se transformam e, por vezes, deixam de existir. No fim, o que permanece são as pessoas e as relações construídas ao longo do caminho.
Ao tratar dessas relações, o executivo recorreu aos princípios do livro Strengths Based Leadership, ressaltando que as pessoas seguem líderes capazes de atender a quatro necessidades universais: confiança, compaixão, estabilidade e esperança. Líderes que inspiram segurança, demonstram cuidado genuíno com seus times e apontam caminhos possíveis para o futuro tendem a construir vínculos mais sólidos e duradouros.
Ao falar sobre o futuro, Fábio também destacou competências humanas que se tornam cada vez mais essenciais diante do avanço tecnológico: adaptabilidade, capacidade de filtrar informações, aprendizado contínuo, convivência com a ambiguidade e clareza sobre o que é essencial e o que pode ser delegado ou automatizado.
Ao abordar experiências pessoais, o executivo compartilhou a importância dos vínculos familiares, especialmente na relação com suas três filhas. Em um episódio marcante, ao ter seu nome envolvido em manchetes equivocadas sobre uma suposta prisão, fato que jamais ocorreu, Fábio relembra um telefonema de seu pai, Jaques Coelho, que lhe disse com serenidade: “Eu sei que você não faria nada de errado”. A confiança, nesse momento, revelou-se fruto de valores sólidos construídos ao longo da vida. Não por acaso, seu pai, mesmo em idade avançada, manteve-se ativo em iniciativas empresariais voluntárias no Espírito Santo, como no CDMEC (Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico), ainda na década de 2010. Hoje, aos 93 anos, segue como referência de integridade e compromisso.
Outro episódio simbólico ocorreu logo após Fábio assumir a presidência do Google Brasil. Ao receber de presente uma garrafa de vinho, uma frase chamou sua atenção: a whisper is a shout, ou, em português: “um sussurro é um grito”. Mais do que um preceito ético ou uma dica sutil, a mensagem traduz o poder do exemplo.
Ser líder, antes de qualquer coisa, é poder influenciar. É ser referência. É saber que gestos aparentemente simples carregam significados amplificados para quem observa.
Gestos corriqueiros para qualquer profissional, como um semblante fechado, uma atitude impensada ou uma palavra mal colocada, podem, no caso de um grande líder, ser interpretados como sinais de crise, insegurança ou desalinhamento. Para influenciadores, o poder de um simples sussurro é, simultaneamente, assustador e impressionante.
O líder leva consigo essa responsabilidade. Mais do que um dever individual, liderar significa ser referência: uma responsabilidade de natureza coletiva, que se projeta sobre os projetos, as equipes e os resultados.
Lições claras podem ser claramente observadas de um dos profissionais com maior credibilidade no país. Fabio Coelho, capixaba, pai, executivo e líder reconhecido, defende o cultivo de relações como principal legado das organizações, acredita no aprendizado contínuo, na adaptação das pessoas e, sobretudo, no poder de ser exemplo. Em tempos de ruídos excessivos, talvez seja justamente o sussurro consciente que mais ecoa. Afinal, a whisper is a shout.