Quinze segundos. Um gesto automático de deslizar a tela. Um vídeo que começa antes do anterior terminar. A cena, cotidiana, ajuda a explicar uma mudança de comportamento da população: nunca se consumiu tanto conteúdo e, incoerentemente, nunca foi tão difícil reter as informações. O crescimento da rede social TikTok durante a pandemia de 2020 não só transformou o entretenimento, mas também criou uma nova maneira de pensar. Falar sobre a chamada "geração TikTok" tornou-se importante, pois seus impactos já vão além do comportamento e começam a afetar a capacidade intelectual. A tese que se apresenta é simples, embora desconfortável. A questão não reside na tecnologia em si, mas no seu uso excessivo e descontrolado, que prejudica a qualidade da atenção e, por consequência, enfraquece o pensamento crítico. O crescimento do TikTok não foi acidental. O aplicativo ganhou popularidade durante o isolamento social causado pela pandemia global de COVID-19 e popularizou o modelo baseado em algoritmos de interesse e no “scroll infinito” (ou rolagem infinita), criando uma dinâmica viciante de estímulos rápidos e recompensas constantes. Esse mecanismo, alinhado ao sistema de dopamina do cérebro, treina a mente para o imediatismo e reduz a tolerância ao esforço prolongado. O resultado é uma atenção fragmentada. Não é por acaso que se nota uma dificuldade crescente em se envolver com conteúdo complexos, que demandam tempo, silêncio e concentração. Esse fenômeno se conecta a uma tendência mais ampla e preocupante. Estudos ao logo do século XX indicavam o aumento contínuo do QI. No entanto, sinais recentes apontam uma mudança. Na Dinamarca, testes realizados com jovens que entram no serviço militar já indicavam estagnação e declínio no QI, tendência também verificada em outros países europeus. Pesquisas realizadas na Noruega indicam que o QI médio tem diminuído entre as gerações desde os anos 1990. O neurocientista Jared Cooney Horvath reforça o alerta: mesmo mais escolarizados, jovens
Pensar exige tempo: o que a geração TikTok revela
Quinze segundos. Um gesto automático de deslizar a tela. Um vídeo que começa antes do anterior terminar. A cena, cotidiana, ajuda a explicar uma mudança de comportamento da população: nunca se consumiu tanto conteúdo e, incoerentemente, nunca foi tão difícil reter as informações. O crescimento da rede social TikTok durante a pandemia de 2020 não só transformou o entretenimento, mas também criou uma nova maneira de pensar. Falar sobre a chamada "geração TikTok" tornou-se importante, pois seus imp
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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