Artigo publicado como integrante do CQC de Economia e Finanças. Por muito tempo, ter dólares na carteira foi sinônimo de riqueza excessiva ou paranoia econômica. Não é mais.Em 1994, um brasileiro que convertesse R$ 1.000 em dólares receberia cerca de US$ 1.000, a paridade era quase perfeita. Três décadas depois, o mesmo real compra menos de US$ 0,18. A moeda perdeu mais de 80% do seu valor frente ao dólar em termos nominais. Não foi um evento. Foi uma tendência. Apesar disso, a maioria dos brasileiros ainda mantém 100% do seu patrimônio exposto a uma única moeda, num único país, sujeito a um único conjunto de riscos fiscais, políticos e macroeconômicos. Do ponto de vista da teoria moderna de portfólio formalizada por Harry Markowitz em 1952 e que rendeu o Nobel de Economia, essa concentração é, tecnicamente, um erro evitável. Durante anos, a barreira de entrada para o mercado internacional era real. Abrir uma conta no exterior exigia burocracia, valores mínimos elevados e acesso a private banks. Esse cenário mudou de forma silenciosa, mas profunda. Hoje, plataformas reguladas permitem que um investidor pessoa física transfira recursos ao exterior com câmbio competitivo, invista em ETFs e fundos money market americanos com frações do que se exigia antes — e faça isso dentro de um arcabouço regulatório claro, supervisionado pelo Banco Central. Fundos como o Vanguard Federal Money Market (VMFXX), com patrimônio superior a US$ 300 bilhões, ou o Schwab Value Advantage (SWVXX), oferecem rendimento em dólar com liquidez diária e volatilidade próxima de zero. Não são produtos exóticos. São equivalentes ao CDI, mas denominados em outra moeda. Existe uma falta de entendimento frequente entre dolarizar patrimônio e especular com câmbio. Quem compra dólar esperando valorização imediata está fazendo uma aposta direcional — e pode perder. Quem aloca uma parcela estrutural em ativos internacionais como parte de uma estratégia de longo prazo está fazendo outra coisa: reduzindo a co
O dólar como proteção, não especulação
Artigo publicado como integrante do CQC de Economia e Finanças. Por muito tempo, ter dólares na carteira foi sinônimo de riqueza excessiva ou paranoia econômica. Não é mais.Em 1994, um brasileiro que convertesse R$ 1.000 em dólares receberia cerca de US$ 1.000, a paridade era quase perfeita. Três décadas depois, o mesmo real compra menos de US$ 0,18. A moeda perdeu mais de 80% do seu valor frente ao dólar em termos nominais. Não foi um evento. Foi uma tendência.…
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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