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Economia e Finanças Artigo

O petróleo que não se refina

Durante décadas, o petróleo simbolizou riqueza, poder e vantagem econômica. Por isso, a frase atribuída a Clive Humby, de que “dados são o novo petróleo”, ganhou força no mundo corporativo. A metáfora é útil, mas incompleta. O petróleo tem valor depois de extraído, transportado e refinado. Os dados, porém, exigem algo mais difícil: contexto, confiança e critério de uso. Em uma empresa, bases duplicadas, indicadores contraditórios e relatórios sem responsável não formam um ativo estratégico. Form

Durante décadas, o petróleo simbolizou riqueza, poder e vantagem econômica. Por isso, a frase atribuída a Clive Humby, de que “dados são o novo petróleo”, ganhou força no mundo corporativo. A metáfora é útil, mas incompleta. O petróleo tem valor depois de extraído, transportado e refinado. Os dados, porém, exigem algo mais difícil: contexto, confiança e critério de uso. Em uma empresa, bases duplicadas, indicadores contraditórios e relatórios sem responsável não formam um ativo estratégico. Formam um passivo operacional. Dados só se tornam vantagem quando deixam de ser acúmulo e passam a orientar decisões melhores sobre clientes, custos, riscos, produtividade e alocação de recursos. No Espírito Santo, essa discussão não é abstrata. Uma economia formada por cooperativismo, agronegócio, indústria, varejo, logística e serviços produz dados todos os dias. O cooperativismo capixaba, por exemplo, alcançou R$ 16,9 bilhões em faturamento e reúne quase 1 milhão de cooperados, o que exige controle sobre crédito, produção, pagamentos, estoques, relacionamento e decisões comerciais. Mas dado acumulado não é dado refinado. Quando cada área usa critérios diferentes para receita, margem, cliente ativo, prazo ou produtividade, a empresa não se torna mais inteligente. Ela apenas transforma desorganização em relatório. O verdadeiro salto acontece quando a informação deixa de ser registro disperso e passa a orientar escolhas concretas de gestão. A inteligência artificial torna essa base ainda mais decisiva. Segundo a Gartner, organizações com iniciativas bem-sucedidas de IA investem até quatro vezes mais, em proporção da receita, em fundamentos como qualidade de dados, governança, pessoas preparadas e gestão da mudança. A mensagem é direta: a IA não corrige uma empresa que não entende seus próprios dados. Ela pode ampliar sua capacidade analítica, mas também pode escalar erros com velocidade inédita. Um modelo alimentado por cadastros inconsistentes, sistemas pouco integrados e indica

Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.

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