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Empreendedorismo e Gestão Artigo

O Brasil tem seu Atlas

Atlas, na mitologia grega, foi condenado a sustentar o céu. Em A Revolta de Atlas, Ayn Rand usa essa imagem para perguntar o que ocorre quando quem produz deixa de aceitar um sistema que o trata como suspeito. No Brasil, essa retirada não tem forma de greve épica. Aparece em decisões discretas: não contratar, não reinvestir, levar patrimônio para fora. O tema merece reflexão porque o país trata a riqueza como estoque disponível à captura, e não como fluxo que…

Atlas, na mitologia grega, foi condenado a sustentar o céu. Em A Revolta de Atlas, Ayn Rand usa essa imagem para perguntar o que ocorre quando quem produz deixa de aceitar um sistema que o trata como suspeito. No Brasil, essa retirada não tem forma de greve épica. Aparece em decisões discretas: não contratar, não reinvestir, levar patrimônio para fora. O tema merece reflexão porque o país trata a riqueza como estoque disponível à captura, e não como fluxo que depende de confiança, propriedade e incentivos. A tese é esta: os Atlases brasileiros não sumiram, mas muitos já calculam se ainda vale carregar esse peso. Eles não são apenas bilionários. São empresários médios, executivos, investidores, médicos, engenheiros, produtores rurais, programadores, fundadores de startups e profissionais capazes de converter conhecimento, capital e trabalho em valor. A importância desses agentes não está no patrimônio que acumulam, mas na função econômica que exercem. Riqueza não nasce por decreto. Ela surge quando alguém identifica uma necessidade, organiza recursos escassos, assume risco e oferece algo que outras pessoas escolhem comprar. Antes de existir imposto a arrecadar, emprego a proteger ou política pública a financiar, precisa existir produção. Esse é o ponto que o debate brasileiro muitas vezes ignora. O problema é que o Brasil parece pedir ao produtor que corra como empreendedor e aceite ser tratado como infrator em potencial. Em 2025, a carga tributária bruta chegou a 32,40% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. A partir de 2026, lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês, pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física, terão retenção de 10% na fonte, conforme a Receita Federal. A discussão sobre justiça fiscal é legítima. Mas ela costuma esquecer o efeito sobre o comportamento. O capital compara riscos, prazos e retornos. Quando a tributação alta se combina com burocracia, instabilidade normativa e hostilidade cultural ao lucro, a reação racional não é protestar; é r

Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.

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