Artigo publicado como integrante do CQC de GRC. Quem costuma ter mais medo da sucessão é o próprio sucedido. Aquele fundador que construiu o negócio — e a ele dedicou décadas de sua vida — tende a associar a transição à perda de identidade, de poder e de propósito. Por isso, o tema costuma ser postergado — o que é compreensível, porque toca em questões que as famílias preferem evitar: a brevidade da vida, a partilha do poder e o fim de um ciclo relevante. Diante desse adiamento, há fundadores que se queixam do desinteresse das novas gerações pela empresa da família. Mas vale a pergunta inversa: foi comunicado com clareza às próximas gerações o que se espera delas? Sabem o que as aguarda na empresa? Conhecem as regras de ingresso, os critérios de progressão, o que a empresa oferece e o que ela exige? Quando essas perguntas ficam sem resposta, o silêncio gera incerteza e falta de engajamento das próximas gerações. Há, porém, ferramentas para organizar esse processo e responder adequadamente a essas perguntas, antes que a postergação gere confusão e afaste os herdeiros. Planejar a sucessão exige trabalhar em dois planos paralelos. O primeiro é a governança familiar — como a família se organiza para tomar decisões, preparar herdeiros e preservar a coesão entre gerações. O segundo é a estrutura jurídica e patrimonial — holding, acordo de sócios e instrumentos societários adequados. Este artigo trata do primeiro plano; o segundo, igualmente indispensável, será tema de um próximo texto. Para a família, as principais ferramentas são três: Protocolo Familiar, Conselho de Família e Plano de Desenvolvimento de Sucessores. O Protocolo Familiar traduz os valores de cada família em regras objetivas: quem pode ingressar na empresa, em que condições, como progride e como se desliga. Sem ele, o filho que entra sem critérios definidos e o sobrinho que nunca foi convidado acabam igualmente desconfortáveis — um por não ser avaliado como os demais, outro por não ter sido sequer chamado.
Empresas familiares: quem tem medo da sucessão?
Artigo publicado como integrante do CQC de GRC. Quem costuma ter mais medo da sucessão é o próprio sucedido. Aquele fundador que construiu o negócio — e a ele dedicou décadas de sua vida — tende a associar a transição à perda de identidade, de poder e de propósito. Por isso, o tema costuma ser postergado — o que é compreensível, porque toca em questões que as famílias preferem evitar: a brevidade da vida, a partilha do poder e o…
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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