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Empreendedorismo e Gestão Artigo

A polarização brasileira não se resolve nas urnas

Um país politicamente dividido. Essa é a imagem que se impôs ao Brasil nos últimos anos. A sensação de ruptura atravessa famílias, ambientes de trabalho e relações pessoais. Conforme revelam dados publicados em 2026 pela Ipsos, empresa multinacional de pesquisa de mercados, 57% dos brasileiros percebem mais prejuízos do que benefícios na polarização política, 58% avaliam que ela enfraquece a democracia e 72% se sentem incomodados[1]. Logo, não se trata mais apenas de discordância política, mas d

Um país politicamente dividido. Essa é a imagem que se impôs ao Brasil nos últimos anos. A sensação de ruptura atravessa famílias, ambientes de trabalho e relações pessoais. Conforme revelam dados publicados em 2026 pela Ipsos, empresa multinacional de pesquisa de mercados, 57% dos brasileiros percebem mais prejuízos do que benefícios na polarização política, 58% avaliam que ela enfraquece a democracia e 72% se sentem incomodados[1]. Logo, não se trata mais apenas de discordância política, mas de verdadeiro antagonismo. Nesse contexto, assisti recentemente à palestra de Bruno Garschagen, cientista político, escritor e professor, que explorou um caminho ainda pouco debatido: no Brasil, a possibilidade de transformações políticas positivas não reside em arranjos partidários ou reformas estruturais do Estado, mas na mudança interna de cada brasileiro que transcende a dinâmica de confronto[2]. De maneira geral, o discurso dominante atribui toda e qualquer crise brasileira a más escolhas eleitorais ou à falta de reformas institucionais adequadas. Todavia, essa análise se revela frágil, pois trata a questão como um problema meramente partidário ou conjuntural e não enfrenta as suas verdadeiras causas. Segundo Garschagen, a desordem política brasileira não é um fenômeno recente. A República nasceu em 1889 a partir de um golpe militar e sem participação popular. Desde então, o país acumulou rupturas institucionais, governos autoritários e crises recorrentes, porque o modelo republicano presidencialista adotado no Brasil estabeleceu incentivos que atraem à política não os melhores indivíduos, mas os mais dispostos a utilizar o Estado em benefício próprio e de aliados. Por esse motivo, reformas estruturais ou escolhas pontuais de políticos não são capazes de corrigir o vício original da República brasileira, que compromete a estabilidade do próprio sistema. Diante dessa realidade, Garschagen argumentou que cresce o sentimento difuso em todas as camadas sociais de que o Brasil

Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.

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