Setor público e sustentabilidade energética

Artigo publicado como integrante do CQC de ESG

Diante das transformações ambientais globais e da crescente escassez de recursos naturais, torna-se cada vez mais evidente que nossos padrões de consumo e gestão urbana sejam urgentemente repensados. O ESG (Environmental, Social and Governance), que representa um conjunto de princípios voltados para a sustentabilidade ambiental, social e corporativa, desponta como um novo paradigma de gestão empresarial, capaz de conciliar lucro e responsabilidade socioambiental, o que é fundamental para ações de desenvolvimento das cidades, em especial, a capital do Espírito Santo.

Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que a maior parte dos subsídios (81,9%) ainda é destinada a fontes fósseis, enquanto as fontes renováveis somam apenas 18,1%. Essa disparidade nos investimentos evidencia a necessidade urgente de mudança nas políticas públicas e na alocação de recursos para o setor energético. A transição para um modelo energético mais limpo e sustentável apresenta desafios consideráveis, especialmente quando se trata da implementação de energia sustentável em órgãos públicos. Identificamos como o principal desafio, a estrutura arcaica para a adaptação técnica e regulatório dos espaços  e dificuldades na compatibilidade da rede e segurança operacional. Enfrentar esses desafios demanda uma articulação interinstitucional robusta, com o fortalecimento da governança pública, incentivos à inovação tecnológica e a formulação de marcos regulatórios mais eficientes.

Entretanto, diversas iniciativas nacionais e internacionais mostram que a transição para fontes renováveis no setor público é viável quando há integração entre planejamento estratégico, vontade política e instrumentos de financiamento adequados. Na Grande Vitória, escolas, creches e pontos de saúde já estão sendo construídos sob essa perspectiva. Outros municípios brasileiros como Curitiba (PR) e Salvador (BA) também têm investido na instalação de painéis solares nesses espaços, o que tem reduzido custos com energia elétrica e ampliado a conscientização ambiental da população. Em âmbito internacional, cidades como Copenhague e São Francisco implementaram políticas ambiciosas de neutralidade de carbono, que incluem desde a modernização da iluminação pública com LED até a substituição de frotas oficiais por veículos elétricos. A criação de usinas solares, proposta inovadora, que pode ser aplicada nas prefeituras capixabas.

Para consolidar esse avanço, é essencial que os governos promovam uma política pública articulada, com incentivos fiscais, fundos específicos para inovação em energia limpa e marcos legais que simplifiquem a tramitação de projetos sustentáveis. Além disso, a criação de consórcios intermunicipais pode ser uma alternativa eficaz para viabilizar projetos em regiões com menor capacidade de investimento individual.

A transparência na execução dos projetos e o monitoramento dos resultados devem ser pilares dessas políticas, garantindo que os investimentos públicos gerem retorno ambiental, econômico e social. A construção de um setor público energeticamente sustentável não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma oportunidade estratégica para a capital se posicionar como referência em governança climática e eficiência energética no estado.

Autor

Aylton Trancoso Dadalto

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