SAF não ganha título: gestão sim

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

A necessidade de salvar clubes tradicionais do futebol brasileiro com dívidas gigantescas, fruto de gestões fracassadas, levou os advogados Rodrigo Monteiro de Castro, especialista no mercado do futebol, e José Francisco Manssur, atuante no direito desportivo e na regulamentação da lei dasBets, a iniciarem, em 2015, estudos no sentido de apresentar propostas para criar um marco regulatório.

Que transformasse os clubes que tinham como forma jurídica de associações civis sem fins lucrativos em empresas (Sociedade Anônima), facilitando a entrada de investidores, garantindo governança, compliance e transparência.

Até a criação da Lei no 14.193 de 06/08/2021, ano em que a Lei das SAFs se materializou, foram estudadas diferentes formas de gestão esportiva em alguns países do mundo, visando elaborar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol Brasileiro (SAFs).

A meta era ter uma gestão profissional com total transparência financeira eque pudesse atrair os mais diferentes tipos de investidores.

A Premier League na Inglaterra, a La Liga espanhola, famosa pelo rígido controle financeiro (fair play financeiro), o modelo alemão 50 + 1 e a antiga Liga NOS de Portugal, atualmente denominada Liga Portugal Betclic, foram exaustivamente analisadas.

Entre todos os modelos estudados, a Sociedade Anônima Desportiva (SAD), criada no início dos anos 1990, em Portugal, foi o que serviu de base para a criação da lei brasileira.

Pesquisas conduzidas em 2025 pelo Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade Anônima do Futebol (IBESAF) indicaram um aumento no interesse em transformar o modelo de associação civil sem fins lucrativos em sociedade anônima.

No começo daquele ano, 99 clubes já tinham escolhido o modelo SAF. Em julho, esse número subiu para 117 e, ao final do ano passado, houve um acréscimo de mais 10 SAFs, totalizando 127 associações que escolheram esse novo modelo de gestão esportiva.

Analisando o desempenho de alguns clubes SAFsno Brasil, verifica-se que alguns estão muito bem organizados, como é o caso do Bahia, que faz parte do City Football Group.

Outros vivem tentando se desfazer do prejuízo financeiro que contraíram, como é o caso do Figueirense de Florianópolis, um dos maiores exemplos de fracasso.

A gestão do grupo Elephant Participações Societárias S/A não funcionou e a equipe caiu para a série C do Campeonato Brasileiro ao final de 2020 e, em 2026, foi rebaixada para a série B do Campeonato Catarinense, resultando na destituição da atual diretoria da SAF.

Por outro lado, Palmeiras e Flamengo são os dois clubes mais vitoriosos do país nos últimos anos e ambos atuam como clubes associativos sem fins lucrativos.

Logo, o mais importante não é ser ou não SAF, mas sim ter uma gestão eficiente, bem organizada, com planejamento estratégico que permita tomadas de decisões que se adaptem rapidamente às mudanças do mercado.

Autor

Eric Alves Azeredo

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