Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.
Em 2025, o agronegócio brasileiro gerou um superávit de US$ 149 bilhões na balança comercial. Sem ele, o país teria um déficit de US$ 80,8 bilhões. Isso não é retórica de apresentação. É a conta real.
E tem mais: o Brasil ocupa praticamente a mesma área agrícola de 2003. Produziu 507% a mais de grãos desde 1985 usando o mesmo território. A produtividade por hectare cresceu 188% no mesmo período. Fez isso enquanto preservou 65,6% do seu solo.
Mas você já parou para pensar o que esses números significam para quem empreende?
Significam que o maior motor de competitividade do Brasil não está em São Paulo. Está no cerrado, no campo, na fazenda que planta soja de manhã, colhe milho à tarde e ainda gera bioeletricidade com o resíduo da produção.
O Brasil detém 74% das exportações mundiais de suco de laranja, 59% da soja e 56% do açúcar comercializados no planeta. A produção de carne de frango cresceu 178% desde 2000. Nenhum país do G20 combina essa escala produtiva com 89% de eletricidade gerada por fontes renováveis.
O relatório Sustainable Agribusiness and a Strategy Agenda: the case of Brazil, de fevereiro de 2026, da Harven Agribusiness School, coordenado pelo Prof. Marcos Fava Neves, mapeia com precisão onde estão as oportunidades até 2050: biogás, biomassa, crédito de carbono, combustível sustentável de aviação, inteligência artificial aplicada à produção, logística e agregação de valor nas cadeias de proteína animal. São mercados reais, com demanda crescente e oferta ainda insuficiente.
Próximo a 100% dos produtores brasileiros já adota o plantio direto, contra 78% nos EUA e 84% no Canadá. O Brasil lidera bioinsumos entre os maiores países produtores de alimentos do mundo, com 67% de adoção, ante apenas 23% nos EUA e 14% no Canadá. O programa RenovaBio evitou a emissão de 191 milhões de toneladas de CO₂ em cinco anos. E o etanol de milho, que produzia 3,4 bilhões de litros em 2020, deve chegar a 21,8 bilhões em 2035.
Há algo mais revelador nesse cenário: entre 1990 e 2024, o Brasil produziu mais, desmatou menos e liberou área. O acumulado chega a 397 milhões de hectares preservados, quase metade do território nacional.
E o Espírito Santo? O estado posiciona-se de forma privilegiada nessa cadeia. O Norte do estado produz café, madeira e fruticultura. No Sul, Cachoeiro tem tradição agroindustrial. O sistema portuário do estado movimenta commodities. Mas o ecossistema capixaba ainda não se organizou para capturar valor real nessa transformação que já está em curso. Ativos tais como biomassa, biogás, créditos de carbono e agroindustrialização local são oportunidades abertas para quem tiver visão e velocidade.
Empreender no agro hoje não é, apenas, comprar terra. É resolver problemas que fazem o campo produzir cada vez mais com cada vez menos. É, também, preservar a longevidade produtiva do solo. Quem entender isso primeiro vai construir o próximo ciclo de crescimento, do Brasil e do Espírito Santo.