Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.
Depois de anos de estagnação, o futebol feminino vem crescendo exponencialmente em várias partes do mundo, principalmente nos clubes europeus. Dados publicados no final de 2024 pela Deloitte, organização com o portfólio de serviços mais diversificado do mundo, atuando em mais de 150 países, revelaram que os clubes de futebol feminino atingiram a incrível marca de € 116,5 milhões (aprox. R$ 742 milhões) em receitas no ano passado, com base em um estudo feito levando-se em conta ligas de países como Brasil, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal, Noruega e Japão.
O Barcelona, atual campeão da Liga dos Campeões Feminina da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), lidera a lista com € 17,9 milhões (cerca de R$ 114 milhões). O Arsenal e o Chelsea, ambos da Inglaterra, aparecem em segundo e terceiro lugares com € 17,8 milhões (R$ 114 milhões) e € 13,4 milhões (aprox. R$ 85 milhões), respectivamente.
A maior visibilidade da modalidade, após a inclusão dos jogos como parte integrante da grade esportiva – e não apenas como preenchimento de espaços vazios na programação – tem sido fundamental para aumentar o interesse do público, que está cada vez mais engajado com o futebol feminino.
Outro fator verificado pela Deloitte foi que os times de futebol feminino começaram a se adaptar a um novo público que tem aspirações, necessidades e hábitos diferentes de um público de futebol tradicional e, com isso, deixaram de se espelhar no futebol masculino, buscando e criando suas próprias formas de fidelização de público e atração de investidores.
Entre os dias 2 e 27 de julho de 2025, a Suíça sediou a 14ª edição da Eurocopa Feminina, com premiação total de € 41 milhões (cerca de R$ 261 milhões), um aumento de 156% em relação à última edição de 2022. A fase de grupos da Eurocopa Feminina de 2025 registrou públicos históricos: quase meio milhão de torcedores estiveram nos estádios, e 22 das 24 partidas tiveram ingressos esgotados.
O jogo entre Alemanha e Dinamarca, na Basileia, recebeu 34.165 torcedores, o maior público em um jogo da fase de grupos sem envolvimento do país-sede, e o recorde de espectadores para uma partida de futebol feminino na Suíça.
E no Brasil, o que mudou nos últimos anos? Faltando pouco mais de dois anos para o início da 10ª edição do mundial, é preciso que haja um processo de aceleração considerável de mudanças e mentalidades para que se possa sonhar com o título inédito para o Brasil. A criação do Campeonato Brasileiro Feminino e da Supercopa do Brasil Feminina foi importante para impulsionar a modalidade, mas representa muito pouco entre os inúmeros desafios que ainda precisam ser superados, como a estabilidade financeira das jogadoras.
O estágio atual do futebol feminino pode ser avaliado pelas palavras de Nadine Kessler, diretora de futebol feminino da UEFA, que disse, logo após o término da Eurocopa: “Se antes ainda havia dúvida, agora é inegável: o futebol feminino é imparável e veio para ficar”.