Empreendedorismo na escola: foco na autonomia e liderança

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão

A pandemia do coronavírus obrigou as escolas a pensarem em alternativas de ensino que pudessem compensar, em parte, o prejuízo causado pela paralisação das atividades escolares. As mudanças implantadas serviram para transformar o setor, abrir novos horizontes e criar a possibilidade de enxergar o futuro com uma educação mais inclusiva, dinâmica e conectada. Mas é preciso que se faça uma reformulação mais profunda no ensino, como a adoção de metodologias que transportem o conteúdo teórico para a prática do dia a dia, tenham ligação direta com a vida e mostrem claramente aos jovens que nenhuma mudança considerável pode acontecer no mundo sem a educação.

Alguns países europeus e asiáticos já adotaram essas mudanças em seus currículos escolares, como a Finlândia, que figura há anos no “top five” da educação mundial. Com foco no bem-estar e desenvolvimento socioemocional, a educação finlandesa prioriza a participação dos alunos no processo ensino-aprendizagem, em que resolvem problemas e avaliam seu aprendizado com base em metas estabelecidas. Os currículos enfatizam competências como o aprender a aprender, interação e autoexpressão, além de valorizarem o desenvolvimento de habilidades práticas que os alunos utilizarão ao longo da vida, como empreendedorismo, participação, envolvimento e criação de um futuro sustentável.

Ao conectar empreendedorismo à educação, redes, escolas e educadores têm a oportunidade de adotar práticas pedagógicas dinâmicas, ativas e criativas. Essa dinâmica prevê o desenvolvimento de competências e habilidades, como criatividade, resolução de problemas e trabalho em equipe, que dificilmente são desenvolvidos durante uma aula expositiva tradicional.

Nesse contexto, a professora Débora Garofalo, primeira mulher brasileira e primeira sul-americana a ser finalista no Global Teacher Prize, considerado o Nobel da educação, sugere que os educadores sejam estimulados a trabalhar com práticas que valorizem a autonomia e despertem o interesse dos estudantes, e que, independentemente do caminho que o professor escolher, sem dúvida as metodologias ativas precisam estar presentes. E concluiu dizendo que: “além de promover uma educação empreendedora, é importante conectar as práticas com o projeto de vida dos estudantes. Precisamos fazer essas crianças sonharem dentro da escola”. Finalizo com as palavras de Kátia Smole, que esteve no cargo de Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, quando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi homologada em 2018: “na medida em que você precisa ajudar o jovem a constituir o seu projeto de vida e a ter ferramentas para colocar esse projeto em marcha durante e após a escola, você precisa entender que empreender não está relacionado apenas a uma questão de ter ou não o próprio negócio. Estamos falando de atitudes empreendedoras, como planejar e mapear os recursos necessários para colocar o seu projeto de vida em prática”.

Autor

Eric Alves Azeredo

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