Dia Mundial da Saúde Mental: uma reflexão para as empresas

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

Desde 1992, o dia 10 de outubro é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como o Dia Mundial da Saúde Mental. Mais do que uma data simbólica, é um chamado à consciência — um lembrete de que saúde mental não é luxo, é uma necessidade.

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma verdadeira epidemia silenciosa. Em 2024, foram registrados mais de 472 mil afastamentos de trabalhadores por transtornos mentais — o maior número da última década, um aumento de quase 70% em relação ao ano anterior. Quais seriam os principais motivos? Ansiedade, depressão, estresse e síndrome de Burnout.

Pesquisas recentes indicam que 8 em cada 10 profissionais já tiveram algum problema emocional relacionado ao trabalho. Por trás dos números, há pessoas exaustas, lideranças sobrecarregadas, equipes desmotivadas e empresas que ainda tratam a saúde mental como perfumaria — quando, na verdade, ela é essencial para a sustentabilidade dos negócios.

No Espírito Santo, o cenário também chama atenção. Em 2023, mais de 1.600 mulheres foram internadas por transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves. O estado vem recebendo investimentos para ampliar a Rede de Atenção Psicossocial, com novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e residências terapêuticas, mas o desafio permanece: garantir acesso, acolhimento e prevenção.

Esses números revelam uma urgência coletiva. Falar sobre saúde mental já não é uma pauta exclusiva do setor de recursos humanos há algum tempo — é uma questão estratégica, ética e principalmente social. Empresas são compostas por pessoas, e pessoas emocionalmente adoecidas afetam toda a engrenagem: produtividade, clima, criatividade e inovação.

O ambiente corporativo pode e deve ser um espaço de promoção de saúde. Isso começa com lideranças preparadas para reconhecer sinais de esgotamento, dispostas a ouvir sem julgamento e a incentivar o autocuidado. Envolve também estruturar políticas preventivas, oferecer apoio psicológico, criar espaços de escuta e rever práticas que favoreçam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Mais do que ações pontuais, é preciso uma mudança cultural: transformar o cuidado em valor. Investir em saúde mental não é custo — é investimento no capital humano que sustenta qualquer organização.

Nesta data, o convite é simples, mas profundo: pare e olhe ao redor. Como está a saúde emocional da sua equipe? Há espaço para o diálogo? O que sua empresa tem feito, de forma concreta, para prevenir o adoecimento mental? Cuidar da saúde mental é cuidar de pessoas — e cuidar de pessoas é, inevitavelmente, cuidar dos resultados.

Autor

Juliana Foreque Frasson

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