Como transformar a conta de luz em vantagem competitiva

Artigo publicado como integrante do CQC de Inovação e Tecnologia.

A produtividade é o foco principal nas reuniões de planejamento, nas metas da diretoria e nas iniciativas de transformação digital das empresas brasileiras. Processos são revisados, equipes são reorganizadas e tecnologias são adotadas para aumentar a eficiência. No entanto, um dos maiores custos fixos, a conta de energia elétrica, ainda é frequentemente negligenciada pelos gestores.

De acordo com a CNI, cerca de metade das indústrias brasileiras enfrentou aumento nos custos de energia no último ano. A Firjan destaca que esses custos podem representar mais de 40% das despesas totais de produção na indústria. No setor do agronegócio, a dependência de energia para irrigação, refrigeração e automação de precisão também é elevada. Gerenciar esse insumo é fundamental para preservar a margem de lucro.

Segundo Drucker, só é possível gerenciar o que é medido. Muitas empresas brasileiras pagam pela energia elétrica sem utilizá-la como indicador de gestão. Com a energia fotovoltaica, esse custo passa a ser um ativo controlável, oferecendo retorno previsível e payback definido, o que aumenta a produtividade sem necessidade de novas contratações ou reestruturações.

Os números do setor corroboram esse progresso. A ABSOLAR reportou 52,2 GW de capacidade instalada de energia solar no Brasil até o fim de 2024, dos quais 72% são de geração distribuída. No primeiro semestre de 2025, mais de 169 mil empresas começaram a produzir sua própria energia. Produzir energia própria é a alternativa mais econômica — há casos documentados em que supermercados duplicaram sua margem operacional e, no agronegócio, a rentabilidade gerada superou a de determinadas culturas.

A adoção da energia solar, no entanto, não está isenta de desafios. O investimento inicial ainda representa uma barreira relevante para pequenas e médias empresas, e o tempo de payback varia conforme o porte, a região e o perfil de consumo de cada organização. Ignorar essa variável no planejamento é substituir um custo por um risco mal dimensionado.

Falconi definiu a qualidade como a capacidade de atender aos requisitos do cliente com o menor custo possível. Nesse contexto, optar pela energia solar vai além da sustentabilidade; é uma decisão de excelência na gestão. A energia solar reduz despesas, oferece previsibilidade financeira e melhora o posicionamento ESG da empresa, critério crescente para obter crédito, participar de licitações e atrair investidores.

A busca por produtividade começa por áreas frequentemente negligenciadas. A conta de energia nunca foi neutra, e, para quem perceber isso antes dos concorrentes e estruturar a decisão com rigor, ela pode ser a vantagem competitiva mais subestimada do balanço.

Autor

Domicio Faustino

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