Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.
Atualmente um desafio contemporâneo é o aumento contínuo do número de casos de câncer de mama. Os estudos mostram sua forte ligação a um fator silencioso, porém modificável, que é a disfunção metabólica associada à obesidade. Segundo o artigo publicado na Nature Reviews Endocrinology, a obesidade não é apenas um estado de excesso de peso, ela representa uma condição biológica capaz de alterar profundamente o funcionamento celular, os hormônios e o sistema imunológico.
Essas alterações criam um ambiente favorável ao crescimento de tumores, especialmente nas mulheres após a menopausa, cuja produção de estrogênio deixa de ser ovariana e passa a depender predominantemente das suprarrenais e do tecido adiposo. Entretanto, o crescimento excessivo da massa gorda faz com que a concentração estrogênica suba de maneira excessiva e atue nos locais onde tenha maior densidade de receptores hormonais.
O estudo mostra que 13 tipos de câncer já têm ligação direta com o excesso de gordura corporal, entre eles, o câncer de mama com receptor de estrogênio positivo (ER+), o tipo mais comum em mulheres.
Essa relação ocorre porque o tecido adiposo, ao crescer, modifica algumas funções, como a conversão de alguns hormônios esteroidais, a liberação de mediadores inflamatórios crônicos, a resistência à insulina e a glicose circulante, dentre outros.
A obesidade causa aumento nos níveis de insulina e diminuição nos níveis de adiponectina (hormônio protetor). No tecido mamário, essas alterações ativam enzimas como a aromatase, que converte andrógenos em estrogênios, aumentando o combustível hormonal para tumores dependentes de estrogênio.
A autora, Kristy Brown, da Weill Cornell Medicine (NY), ressalta que a prevenção metabólica é uma estratégia comprovadamente eficaz para reduzir o risco de câncer e potencializar os resultados dos tratamentos. Entre as abordagens mais eficazes destacam-se o exercício físico personalizado, que ativam a via AMPK e suprimem a PI3K–AKT, limitando o crescimento celular desordenado; a redução da ingestão calórica, que ajuda a diminuir os níveis de insulina; e a correção da composição corporal, por meio da redução da gordura e do aumento da massa muscular, o que contribui para equilibrar a produção de estrogênios e reduzir substâncias inflamatórias. Essas intervenções não apenas previnem o câncer, mas também reduzem o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e declínio cognitivo, compondo uma agenda integrada de longevidade produtiva.
Para o público do IBEF-ES, formado por líderes empresariais, gestores e formadores de opinião, este tema extrapola o campo da medicina. Trata-se de gestão estratégica do capital humano e social, pois investir em programas corporativos de saúde metabólica e prevenção hormonal não é apenas um ato de responsabilidade social, mas também uma política de gestão de riscos e de sustentabilidade. Essa abordagem gera benefícios concretos, como menor absenteísmo, redução de custos com doenças, maior engajamento, melhor desempenho cognitivo e uma cultura organizacional mais resiliente. Prevenir é liderar com visão de futuro, que compreende a saúde metabólica feminina como um ativo estratégico. Significa transformar ciência em valor humano, reduzindo riscos e fortalecendo a sustentabilidade dos negócios. Investir em prevenção é investir em performance, longevidade e propósito, gerando impacto biológico, social e econômico duradouros.