Era uma vez um comerciante que recebia todos os dias um viajante em sua loja. O viajante não trazia moedas, mas livros. Cansado, o comerciante disse: “Não posso pagar contas com histórias”. Anos depois, aquele mesmo viajante retornou, agora como dono de uma grande empresa, e respondeu: “Foram as histórias que me ensinaram a transformar ideias em riqueza”. A provocação dessa fábula é clara: a leitura não é mero passatempo, mas um instrumento de transformação capaz de mudar destinos, inclusive no empreendedorismo.
Os números da leitura no Brasil revelam um cenário preocupante: 93 milhões de brasileiros não possuem o hábito de leitura, de acordo com informações da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em 2020. Esse aterrador número representa aproximadamente 44,6% da população brasileira, considerando a estimativa de 208,7 milhões de habitantes no mesmo ano. Em comparação, o estudo também revela que países como França e Alemanha apresentam índices superiores, em que mais de 70% da população declara ler regularmente. Essa disparidade evidencia que, enquanto outras nações consolidam a leitura como prática cotidiana, o Brasil ainda enfrenta o desafio de transformar o ato de ler em prioridade cultural.
No campo do empreendedorismo, essa lacuna se torna ainda mais crítica. Bill Gates, fundador da Microsoft, já declarou ler em média 50 livros por ano, e em documentário produzido pela Netflix demonstrou ser capaz de absorver até 150 páginas por hora. No Brasil, Joel Jota, empresário e ex-atleta de alto rendimento, também destaca constantemente a leitura como fator determinante para a expansão de negócios e desenvolvimento pessoal. Tais exemplos mostram que a leitura não é apenas hábito cultural, mas ferramenta estratégica de crescimento e inovação empresarial.
Os benefícios da leitura são amplamente documentados. Para todas as pessoas, o contato frequente com livros amplia a criatividade, fornece repertório para a geração de novas ideias, melhora a comunicação oral e escrita, favorecendo negociações, desenvolve interpretação e memorização e, ainda, reduz o estresse. Como se pode perceber, todas essas benesses são elementos crucias para líderes que precisam inspirar equipes e transmitir mensagens com clareza.
O impacto da leitura na formação empreendedora vai além do acúmulo de informações. Trata-se da construção de uma mentalidade estratégica, baseada em modelos testados e experiências documentadas por outros líderes. Autores como Simon Sinek, ao falar sobre propósito e liderança, Philip Kotler, referência em marketing, e Carol Dweck, com sua obra sobre mindset, oferecem aos empreendedores acesso direto a conhecimentos aplicáveis ao cotidiano empresarial. No cenário nacional, nomes como Flávio Augusto da Silva também exemplificam como a leitura pode ser catalisadora de visões de longo prazo e tomada de decisão assertiva.
É justamente no universo dos negócios que a leitura se mostra diferencial competitivo. Enquanto cursos e treinamentos oferecem soluções pontuais, os livros proporcionam profundidade teórica e prática, permitindo que empreendedores desenvolvam visão sistêmica, aprimorem a gestão e fortaleçam sua capacidade de inovação. Nesse contexto, Joel Jota, em vídeo intitulado “5 livros que você precisa ler em 2025”, publicado em seu canal do youtube, relata que os livros influenciaram diretamente o crescimento de sua empresa, e também reforça a tese de que a leitura é investimento, e não mero passatempo.
Mas como criar o hábito da leitura? A resposta está em um pilar já conhecido pelos empreendedores: disciplina. Não basta apenas comprar livros; é preciso incorporá-los à rotina com consistência. Desse modo, primeiro é preciso planejamento e organização de uma agenda semanal. Ao distribuir compromissos, inclui-se blocos fixos para a leitura, seja durante deslocamentos, intervalos de almoço ou ao final do dia. O segredo é anotar e deixar a agenda sempre visível, garantindo que o hábito seja cumprido.
Após, a escolha adequada é importante. Isso porque iniciar com livros de interesse genuíno facilita a continuidade. Textos densos ou com linguagem excessivamente arcaica podem desmotivar iniciantes. Por fim, criar metas claras: estabelecer um número de páginas por dia é uma técnica simples e eficaz. Essa prática transforma grandes objetivos em conquistas diárias, mantendo a motivação elevada.
Vale apontar as vantagens específicas para o empresário: ao ler, ele expande horizontes e fornece referenciais para o networking. Um empreendedor bem informado sobre tendências de mercado, teorias de liderança ou estudos de caso consegue se posicionar com mais autoridade em reuniões, eventos e parcerias.
Diretamente para o crescimento das empresas, será na leitura que o empreender conhecerá modelos de negócios disruptivos, estratégias criativas e soluções já testadas por grandes líderes. Esse repertório torna-se fonte de inspiração para adaptar ideias ao contexto próprio, permitindo que o empreendedor não apenas acompanhe o mercado, mas também antecipe movimentos e crie diferenciais competitivos.
Por tudo isso, obviamente, ler não é simples capricho. Um empreendedor que lê fortalece sua mentalidade e adquire ferramentas para inovar e liderar. Em um mundo empresarial marcado pela velocidade da informação e pela exigência de soluções ágeis, quem lê mais decide melhor, lidera com mais segurança e inova com maior consistência. A leitura, portanto, deve ser compreendida como ativo estratégico, capaz de sustentar negócios resilientes e visionários. Transformar livros em aliados é reconhecer que, no mercado competitivo atual, o conhecimento é o verdadeiro capital que gera prosperidade.
Tal como na infância, quando uma fábula simples ensinava valores de coragem ou de prudência, a leitura continua sendo a chave para decifrar caminhos e inspirar escolhas. Hoje, em vez de “Chapeuzinho Vermelho” ou “Os Três Porquinhos”, são Jim Collins, Peter Thiek, ou Benjamin Graham que conduzem o enredo. Os livros são e sempre serão a ponte entre o sonho de empreender e a realidade de sustentar negócios visionários e prósperos.