A batalha dos isotônicos no mundo dos esportes

Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.

Em meados de 1965, o professor James Cade e mais três pesquisadores da Florida State University College of Medicine, nos Estados Unidos, criaram o Gatorade para atender a um pedido do técnico da equipe de futebol americano da Universidade, Ray Graves, frustrado com o fraco desempenho dos atletas do time durante longos períodos de treinamento e jogos de verão.

A bebida, inicialmente produzida por uma mistura de água, carboidratos e sais minerais, não tinha um sabor agradável e, para torná-la mais palatável, adicionaram suco de limão. Daí surgiu o nome Gatorade, junção de Gators (do time de futebol Florida Gators) com lemonade (limonada em inglês).

Os direitos para produzir e comercializar a marca Gatorade foram adquiridos pela Stokely-Van Camp Inc., antes que a empresa fosse vendida à Quaker Oats Company, em 1983, que, por sua vez, foi comprada pela PepsiCo, em 2001, em um negócio avaliado em US$13,4 bilhões (cerca de R$73,7 bilhões).

Para competir com a Gatorade, líder do mercado de bebidas isotônicas, foi lançada em 1988, nos Estados Unidos, pela The Coca Cola Company, a Powerade, que se expandiu rapidamente no mercado, principalmente entre atletas e praticantes de atividades físicas.

Para movimentar o mercado de isotônicos que vivia uma espécie de estagnação, Lance Collins, professor do Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia e criador do energético NOS Energy Drink, e Mike Repoli resolveram lançar, em 2011, o BodyArmor, uma alternativa aos isotônicos da época.

Quando foi lançado, o BodyArmor centrava suas ações em atletas jovens das ligas profissionais americanas, em contraste com as maiores concorrentes que, normalmente, contratavam grandes nomes do esporte. A história da marca BodyArmor começou a ganhar força dois anos depois, quando Kobe Bryant, um dos maiores ídolos do Los Angeles Lakers, resolveu investir US$6 milhões (cerca de R$36 milhões) para se tornar um dos sócios da empresa.

O papel de Kobe Bryant foi fundamental para o crescimento da BodyArmor, que atingiu, em 2018, um faturamento de US$400 milhões (R$2,4 bilhões), começando a despertar o interesse de gigantes do setor, culminando com a aquisição de 15% da empresa pela poderosa The Coca-Cola Company por US$300 milhões (R$1,8 bilhão). Três anos mais tarde, os 85% restantes vieram a ser adquiridos pela mesma empresa por US$5,6 bilhões (R$33 milhões).

Mesmo com um consumo cada vez mais crescente, atualmente, na Europa, algumas dessas bebidas foram proibidas ou tiveram suas formulações restritas devido a ingredientes como o óleo vegetal bromado, usado como estabilizante, e corantes como o amarelo tartrazina, que está associado a reações alérgicas e problemas comportamentais em crianças, como hiperatividade, de acordo com especialistas da área.

Por fim, fica o alerta de que é importante ter consciência de que o consumo excessivo de qualquer bebida com alto teor de açúcares e eletrólitos pode, potencialmente, ocasionar sérios problemas de saúde em algumas pessoas.

Autor

Eric Alves Azeredo

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