Artigo publicado como integrante do CQC de Empreendedorismo e Gestão.
Na última década, o empreendedorismo esportivo no Brasil deixou de estar restrito à gestão de clubes ou organização de eventos e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da economia global. Isso deveu-se, sobretudo, ao impulsionamento do setor de apostas esportivas (Bets), regulamentado e legalizado a partir de 2023, com impacto massivo entre 2024 e 2026, e pelo mercado de SporTechs (tecnologia aplicada ao esporte). Diversas marcas começaram a “enxergar” o esporte como um ecossistema integrado de performance, mídia, entretenimento e consumo, e duas delas se destacam mundialmente como referências paradigmáticas, ou seja, são modelos em suas categorias, definindo tendências: Nike e Red Bull.
Certamente a Nike vem a ser o caso mais simbólico de empreendedorismo esportivo na história contemporânea. Em 1964, Phil Knight, um apaixonado pelo atletismo, e seu treinador Bill Bowerman criaram uma pequena fábrica de calçados, a Blue Ribbon Sports (BRS). O investimento inicial foi de US$500 cada, cerca de R$2.600, que evoluiu para uma das marcas mais valiosas do mundo. Isso foi graças a uma estratégia baseada em inovação tecnológica, construção de identidade e forte associação com atletas de elite. A Nike não é apenas mais uma fabricante de artigos esportivos, mas uma transformadora de atletas em ícones culturais, redefinindo a relação entre esporte, identidade e estilo de vida.
Já a Red Bull retrata uma estratégia diferente, porém igualmente inovadora, do empreendedorismo no esporte. Originalmente, uma empresa de bebidas energéticas, a marca austríaca rompeu com o modelo tradicional de patrocínio ao se posicionar como produtora e proprietária de conteúdo esportivo. Ao investir em esportes radicais, automobilismo, futebol e eventos próprios, a Red Bull construiu um ecossistema no qual o esporte não é apenas um meio de divulgação, mas o próprio produto central da estratégia de negócios. Red Bull Air Race e Red Bull Racing, na F1, são casos em que a empresa transformou o esporte em mídia, entretenimento e engajamento global.
Nike e Red Bull compartilham a visão de que o empreendedorismo esportivo atual exige planejamento estratégico, inovação e um conhecimento aprofundado do comportamento do consumidor. Não basta para elas patrocinar; elas são criadoras de experiências esportivas, influenciando costumes, valores e mercados ao redor do mundo.
Esses exemplos demonstram que, quando o esporte é tratado de forma empresarial e inovadora, ele pode gerar resultados financeiros expressivos e, com isso, criar um impacto cultural e social que se mantém ao longo do tempo. Nike e Red Bull mostram que empreender no esporte é, acima de tudo, entender que performance, emoção e narrativa caminham juntas na construção de negócios sustentáveis e globais.
Em síntese, Nike e Red Bull demonstram que o esporte, quando aliado à inovação e à estratégia, ultrapassa a competição e se consolida como uma poderosa plataforma global de negócios, cultura e geração de valor sustentável.