Ludwig von Mises, em “As Seis Lições”, enfatiza a importância do capital para o desenvolvimento econômico. Sua análise parte de uma premissa clara: países em desenvolvimento não são pobres por falta de trabalho, mas por escassez de capital. Sob a ótica do volume e da relevância internacional, o Brasil não sofre desse problema. Diante disso, surge a questão central: por que o país atrai capital, mas não consegue convertê-lo em prosperidade duradoura? Um país com baixa disponibilidade de capital tende a apresentar produtividade reduzida, salários mais baixos e menor desenvolvimento tecnológico. Nesse contexto, o capital estrangeiro surge como uma ferramenta importante para suprir essa lacuna. Dados do Banco Central, disponíveis na plataforma InvestVis, mostram que, ao longo das últimas décadas, o Brasil se manteve de forma recorrente entre os dez países que mais recebem investimento estrangeiro direto no mundo. No acumulado, o país figura como o sexto maior receptor global, à frente de economias centrais como Alemanha, Canadá e Bélgica. Ainda assim, quando se comparam os resultados econômicos e sociais do Brasil com os desses países, observa-se um desempenho significativamente aquém do esperado. No âmbito econômico, mudanças frequentes nas regras do jogo criam um ambiente de incerteza. Alterações recorrentes nas regras fiscais, tributárias e regulatórias reduzem a previsibilidade dos retornos e elevam a percepção de risco do investidor. Esse aumento de incerteza não é apenas um desconforto abstrato — ele tem efeitos diretos sobre a alocação de capital. Quanto maior o risco institucional e jurídico, maior é a taxa de desconto exigida pelos investidores para compensar essa incerteza. Como consequência, projetos de longo prazo e maior intensidade de capital tornam-se menos atrativos ou até inviáveis. Forma-se, assim, um ciclo claro: a incerteza institucional eleva a taxa de desconto, o que reduz o investimento produtivo de longo prazo e favorece a entrada de capital com
Por que o Brasil atrai capital, mas não retém prosperidade?
Ludwig von Mises, em “As Seis Lições”, enfatiza a importância do capital para o desenvolvimento econômico. Sua análise parte de uma premissa clara: países em desenvolvimento não são pobres por falta de trabalho, mas por escassez de capital. Sob a ótica do volume e da relevância internacional, o Brasil não sofre desse problema. Diante disso, surge a questão central: por que o país atrai capital, mas não consegue convertê-lo em prosperidade duradoura? Um país com baixa disponibilidade de capital t
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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