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Economia e Finanças Artigo

Juros altos: remédio necessário ou freio que já cobra preço caro demais?

A política monetária brasileira atravessa um momento delicado. Após manter a Selic em 15% ao ano por sete reuniões consecutivas, o Copom iniciou em março um ciclo cauteloso de cortes e levou a taxa básica para 14,5% ao ano na decisão de 29 de abril. Ainda assim, o patamar permanece entre os mais restritivos da história recente e divide opiniões sobre se estamos diante de um remédio prudente ou de um freio que começa a custar mais do que entrega.…

A política monetária brasileira atravessa um momento delicado. Após manter a Selic em 15% ao ano por sete reuniões consecutivas, o Copom iniciou em março um ciclo cauteloso de cortes e levou a taxa básica para 14,5% ao ano na decisão de 29 de abril. Ainda assim, o patamar permanece entre os mais restritivos da história recente e divide opiniões sobre se estamos diante de um remédio prudente ou de um freio que começa a custar mais do que entrega. A pergunta não é meramente acadêmica. O IPCA-15 de abril acelerou para 4,37% em doze meses, e o boletim Focus já projeta inflação de 4,89% para 2026, acima do teto da meta contínua de 4,5%. Por outro lado, o crescimento esperado do PIB ronda apenas 1,85%. Em outras palavras, juros elevados não estão conseguindo ancorar plenamente as expectativas, mas conseguem, com folga, sufocar a atividade. Nesse cenário, vale observar que o problema brasileiro não se resume à Selic. O spread bancário, segundo o Banco Central, voltou a subir e amplia a distância entre a taxa básica e o custo final do crédito para empresas e famílias. Em janeiro, ele já se aproximava de 22 pontos percentuais. As inadimplências também avançam, sobretudo em pequenas e médias empresas e no agronegócio, segmento estratégico para estados como o Espírito Santo. De acordo com os balanços divulgados, os grandes bancos, Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco, elevaram em 33% suas provisões para perdas no primeiro trimestre de 2026, o que sinaliza claramente que o ciclo já produziu desgaste relevante no tecido produtivo. Sob essa perspectiva, defender juros altos como remédio absoluto é uma leitura incompleta. A política monetária restritiva é instrumento legítimo e necessário diante de expectativas desancoradas, contudo o seu uso prolongado não substitui o que falta de fato: responsabilidade fiscal crível, simplificação tributária bem calibrada e previsibilidade regulatória. Quando o Banco Central carrega sozinho o peso de estabilizar a economia, o resultado te

Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.

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