Artigo publicado como integrante do CQC de Economia e Finanças.
A 6ª edição do CEO Meeting do IBEF-ES (2026) trouxe um verdadeiro choque de realidade: a produtividade não apenas alimenta gráficos e projeções de economistas, ela define a renda da população no longo prazo.
O Brasil tem patinado em uma média de valor gerado por hora trabalhada que nos coloca muito atrás de nações desenvolvidas. Enquanto os Estados Unidos geram cerca de 80 dólares por hora, os brasileiros ainda lutam para sair das posições de baixo no ranking do Our World in Data, com aproximadamente 20 dólares por hora.
O que mais assusta é a diferença entre os setores dentro do próprio país. Se olharmos para a evolução entre 1975 e 2020, a agropecuária é o único setor que realmente decolou, com crescimentos de quase 400% no período (de acordo com estudos do Ipea em parceria com a Embrapa e Cepea). Já na indústria, a produtividade caiu cerca de 23% entre 1995 e 2024 (FGV Ibre). O resultado é que, no agregado, o Brasil tem ficado estagnado nesse indicador ao longo dos anos.
Entre as principais razões para isso, destacam-se: a pequena qualificação do capital humano (o Brasil permanece abaixo da média da OCDE nas avaliações do PISA em 2022); e a elevada taxa de juro real (mais de 9% a.a. em 2025 de acordo com a consultoria MoneyYou). Com maior custo de capital, o trabalhador brasileiro pode até se esforçar, mas rende pouco diante da dificuldade de investimentos em infraestrutura tecnológica que permitiria torná-lo mais produtivo.
Quanto ao Espírito Santo, que figura entre os 10 primeiros no ranking de produtividade de 2025 (pelo Centro de Liderança Pública), o desafio é não se acomodar. O principal “nó” a ser desatado é converter a base econômica em polos de inovação, ou o estado continuará dependendo de ciclos de preços externos para crescer, sem nunca alcançar um padrão de vida de primeiro mundo de forma sustentável.