Artigo publicado como integrante do CQC de Inovação e Tecnologia. O Espírito Santo produz petróleo, e não é pouco. Segundo o Anuário do Petróleo 2025 da Findes, em 2024 foram 154,9 mil barris por dia, colocando o estado como o terceiro maior produtor do Brasil, com 4,6 % da produção nacional. Em 2023, a produção foi ainda maior: 169,7 mil barris/dia, um salto de 23 % sobre 2022, conforme dados da ANP. Para qualquer país que leva desenvolvimento a sério, seria um bilhete premiado. No caso capixaba, permanece uma nota promissória que nunca vence.Apesar disso, não há refinaria em operação no estado. O petróleo é extraído, exportado e depois recomprado já refinado, mais caro e com o valor agregado devidamente contabilizado em outros territórios. Minas não produz petróleo, o Rio de Janeiro abocanhou o COMPERJ, a Bahia ergueu polo petroquímico, São Paulo concentra diversas refinarias, incluindo a maior do país, em Paulínia. O Espírito Santo ficou com o papel de fornecedor barato de matéria-prima. O Estado ganha com isso, mas pode ganhar mais.Quando surge a cobrança por respostas, o discurso é sempre o mesmo: “Não precisamos de refinaria, o mundo caminha para a transição energética, o futuro é verde”. Parece bonito, mas não passa de meia-verdade, e meia-verdade serve mais para enganar do que para esclarecer. Sim, o futuro será renovável. Mas alguém avisou à Noruega, aos Emirados ou ao Catar? Todos enriqueceram até a última gota com petróleo antes de financiar fundos soberanos, universidades, cidades futuristas e investir pesado em energias limpas. A lógica é simples: a transição custa caro, e quem paga essa conta é justamente o petróleo refinado de ontem.No Espírito Santo, a lógica se inverte. Sonha-se com o amanhã sustentável garantindo o mínimo de hoje. É como desejar andar de Tesla sem nunca ter fabricado sequer uma bicicleta. O discurso da energia limpa é repetido como senha mágica que absolve a omissão em aproveitar as reservas existentes. Enquanto isso, exporta-se ri
Refinaria no ES, ou apenas uma quimera?
Artigo publicado como integrante do CQC de Inovação e Tecnologia. O Espírito Santo produz petróleo, e não é pouco. Segundo o Anuário do Petróleo 2025 da Findes, em 2024 foram 154,9 mil barris por dia, colocando o estado como o terceiro maior produtor do Brasil, com 4,6 % da produção nacional. Em 2023, a produção foi ainda maior: 169,7 mil barris/dia, um salto de 23 % sobre 2022, conforme dados da ANP. Para qualquer país que leva desenvolvimento a sério,…
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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