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Empreendedorismo e Gestão Artigo

Direitos, deveres e o custo da “Era dos Direitos”

Vive-se um tempo em que a palavra “direito” se tornou onipresente no debate público. Direito à moradia, direito à saúde, direito à educação, direito à renda, direito ao transporte, direito à cultura, direito à conectividade... a lista se perde numa imensidão contínua, e cada nova demanda social parece encontrar seu caminho para o vocabulário jurídico. O problema não está na preocupação legítima com as necessidades humanas, mas na forma como o debate tem sido conduzido: fala-se cada vez mais em…

Vive-se um tempo em que a palavra “direito” se tornou onipresente no debate público. Direito à moradia, direito à saúde, direito à educação, direito à renda, direito ao transporte, direito à cultura, direito à conectividade... a lista se perde numa imensidão contínua, e cada nova demanda social parece encontrar seu caminho para o vocabulário jurídico. O problema não está na preocupação legítima com as necessidades humanas, mas na forma como o debate tem sido conduzido: fala-se cada vez mais em direitos e cada vez menos em deveres, responsabilidades e custos. A realidade elementar da vida social é simples e frequentemente esquecida. Quase tudo aquilo que sustenta a vida humana exige trabalho, tempo e recursos de outras pessoas. Comida não aparece espontaneamente na mesa. Moradia não surge sem pedreiros, engenheiros e materiais. Cuidados médicos exigem anos de formação, plantões exaustivos e responsabilidade técnica. Quando se afirma que algo é um direito universal garantido pelo Estado, implicitamente se está dizendo que alguém terá o dever de produzir aquilo, financiá-lo ou fornecê-lo. Esse ponto, muitas vezes ignorado no discurso contemporâneo, foi tratado com clareza por John Locke, um dos pensadores centrais do pensamento liberal. Locke defendia a existência de direitos naturais anteriores ao próprio Estado: o direito à vida, o direito à liberdade e o direito à propriedade. Esses direitos não dependem da ação de terceiros para existir. Ninguém precisa trabalhar para que você tenha o direito de não ser assassinado, de não ser aprisionado arbitrariamente ou de não ter seus bens confiscados. Esses direitos existem mesmo no chamado estado de natureza. De acordo com o pensador “cada homem tem uma ‘propriedade’ em sua própria ‘pessoa’; a esta ninguém tem qualquer direito senão ele mesmo.” A partir dessa perspectiva, surge uma distinção fundamental que o debate contemporâneo frequentemente tem ignorado, qual seja, a diferença entre direitos e necessidades. Todos os sere

Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.

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