Artigo publicado como integrante do CQC de ESG. Nos últimos dias voltou a ganhar força uma narrativa conhecida: a de que programas de transferência de renda estariam criando dependência, reduzindo os incentivos ao trabalho e comprometendo a produtividade econômica do país. O argumento parece intuitivo. Mas, quando o debate sai do campo das percepções e entra no campo das evidências, a história se torna mais complexa. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2025, acompanhou beneficiários do Bolsa Família e seus dependentes ao longo da última década, utilizando dados entre 2014 e 2025. Os resultados indicam que 60,68% dos beneficiários deixaram o programa ao longo do período. Entre aqueles que tinham entre 11 e 14 anos em 2014, a taxa de saída chegou a 68,8%. Já entre os que tinham entre 15 e 17 anos, alcançou 71,25%. O estudo também apontou aumento da inserção no mercado formal e saída expressiva do Cadastro Único. Se benefícios sociais produzem dependência estrutural, como explicar que seis em cada dez beneficiários tenham deixado o programa? E que justamente os jovens apresentem os maiores índices de mobilidade? Os próprios dados ajudam a responder. As maiores taxas de saída ocorreram em regiões economicamente mais dinâmicas, entre famílias com melhor infraestrutura, maior escolaridade e vínculos formais de trabalho. Quando a pessoa de referência possuía emprego formal, a taxa de saída alcançou 79,4%. A conclusão é clara: o fator decisivo não parece ser o benefício, mas a existência de oportunidades. Esse ponto não deveria ser ignorado quando empresas de diversos setores relatam dificuldades para preencher vagas. Se a principal causa fosse apenas a falta de interesse em trabalhar, bastaria reduzir benefícios para resolver o problema. A realidade sugere algo diferente: dificuldades históricas de qualificação, formação profissional e conexão entre trabalhadores e as competências exigidas pelo mercado. Produtividade não depende apenas de incentivos indiv
Benefícios sociais e produtividade: o que mostram os números
Artigo publicado como integrante do CQC de ESG. Nos últimos dias voltou a ganhar força uma narrativa conhecida: a de que programas de transferência de renda estariam criando dependência, reduzindo os incentivos ao trabalho e comprometendo a produtividade econômica do país. O argumento parece intuitivo. Mas, quando o debate sai do campo das percepções e entra no campo das evidências, a história se torna mais complexa. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2025, acompanhou benefici
Este é um resumo do artigo original publicado no site do IBEF-ES.
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