Por: Pedro Henrique Dias. Presidente do IBEF Jovem ES biênio 2015/2016. Advogado sócio do escritório APD Advogados, graduado em Direito pela FDV e pós-graduado em Direito Empresarial (Legal Law Master) pela FGV, especialista em contratos e planejamento societário. 

O Brasil vive possivelmente, senão o maior, um dos mais profundos períodos de crise de sua história democrática. As instituições, a economia, a cultura e a confiança da população têm sido postas em xeque no curso dos últimos anos, fruto, muito provavelmente, da falta de interesse e delegação do exercício da democracia pela população aos ‘políticos profissionais’, que naturalmente passaram, ante a ausência de fiscalização e clamor social, a governar com o viés de satisfação de interesses próprios e daqueles que apoiam diretamente suas candidaturas, em detrimento dos interesses da coletividade.

Diante desse cenário, a mais provável saída vislumbrada para a retomada do crescimento econômico e da confiança da população em suas instituições e no futuro do país, das empresas, dos empregados e empresários advém invariavelmente da fiscalização da sociedade sobre os agentes políticos, da educação de qualidade oferecida à população e da igualdade de oportunidades e liberdade econômica, esta última, se relacionando diretamente com a cultura empreendedora que deve ser intrínseca aos nossos cidadãos.

O empreendedor e o empresário são, portanto, pontos-chave para esta recuperação. Não há desenvolvimento econômico e ascensão social sem que haja no país um pool de empresas multissetoriais, criativas e inovadoras, e principalmente competitivas nacional e internacionalmente.

Diante de um Estado de legislação fiscal extremamente complexa, carga tributária das mais altas do mundo e de burocracias tão arraigadas em seus processos, é notório que empreender não é – e nunca foi – uma tarefa das mais simples em nosso país.

Ainda assim, o que se pode qualificar até mesmo com o adjetivo de heroico, superando naturalmente todas as adversidades, o Brasil é natural e historicamente um país de empreendedores e nesse momento, mais do que nunca, a população precisa dos seus empresários muito bem preparados e confiantes para desempenharem o papel de locomotiva que irá conduzir a nação de volta aos trilhos do desenvolvimento.

Em períodos de retração do consumo e da confiança como o atual, a simples manutenção da sobrevivência do negócio, especialmente para os micro e pequenos empresários é uma tarefa das mais árduas, o que dirá a iniciativa para abertura de novos negócios. Diante desse cenário, a criatividade é a palavra-chave para o sucesso brasileiro. Felizmente, essa característica está no DNA da nossa população e tal fator é de grande valia para a adaptabilidade das empresas ao atual momento.

Ao Estado cabe, nesse ínterim, portanto, o papel de não interferir e pensar com seriedade e afinco na criação de valor para sociedade através das instituições privadas, fomentando ou ao menos mantendo condições favoráveis para a criação de negócios inovadores, disruptivos, com alto potencial de impacto social. Para isso, deve-se ofertar o suporte necessário que possibilite ao empreendedor o apetite suficiente para o risco, de forma que este vislumbre e, logicamente, confie nas mudanças estruturais indispensáveis para que o país se torne novamente uma potência mundial em franco crescimento e com semelhança de oportunidades dentre seus pares, no médio e longo prazos.