Por Gustavo Barbosa Vargas, diretor vice-presidente do IBEF-ES e Mestre em Administração de Empresas pela FPL-MG, especialização em estratégia empresarial pela Kellogg School of Management (Evanston, Illinois – EUA), pós-graduado em MBA - Gestão Empresarial e MBA - Finanças, Auditoria e Controladoria, ambos pela FGV, graduado em Administração de Empresas pela UFES e Ciências Contábeis pela UVV-ES.

A palavra educação, de acordo com o dicionário Aurélio, expressa o aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano. Nesse contexto, o objetivo da educação financeira deve ser o de criar uma mentalidade adequada e saudável em relação ao dinheiro, ou seja, através da informação, melhorar a compreensão sobre conceitos e produtos financeiros.

No cenário internacional, a importância da educação financeira pode ser representada pela cultura do exercício do direito, com a aplicação de direitos e deveres no ambiente financeiro. Adicionalmente destacam-se a disponibilidade de opções de produtos e serviços financeiros; o acesso às tecnologias; o aumento da expectativa de vida da população; e as reformas nos sistemas previdenciários, que gradualmente transferem dos governos para os cidadãos a responsabilidade sobre a aposentadoria.

No Brasil, as informações sobre finanças não atingem grande parte da população e é agravada pelo ambiente de elevadas taxas de juros e do resquício da cultura inflacionária em uma faixa etária plenamente ativa. Além disso, a atividade de planejamento e o exercício do direto não são atribuições plenamente exercidas no país.

Os benefícios da educação financeira, de acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) são principalmente relacionados à maior confiança no processo decisório e a melhoria da situação financeira, como, por exemplo, o maior acesso ao sistema financeiro, uma renda de aposentadoria adequada e a redução do risco de endividamento, além de auxiliar no desenvolvimento de pequenos e médios empreendimentos. Esses fatores podem ser traduzidos em qualidade de vida e cidadania financeira, entendida como pleno exercício dos direitos e pelo cumprimento dos deveres dos cidadãos sobre suas finanças.

A educação financeira no Brasil deve fazer parte do aprendizado desde a infância até a vida adulta, sendo requerido a sua promoção por vários atores como: família, escola, entidades governamentais, empresa, meios de comunicação, entre outros. Com isso, a cidadania, no sentido amplo, permitirá que o indivíduo cumpra um importante papel na sociedade, através da gestão adequada dos recursos financeiros e disponibilidade em reverter economias em projetos de aprimoramento e empreendedorismo, e em consequência, melhorar sua qualidade de vida.